Veja o trailer do filme Macunaíma

Macunaíma

Macunaíma

12 Comédia Fantasia Ficção Duração: 1h 48min

O herói que virou Brasil

Macunaíma (1968) é o tipo de filme que não pede licença: ele invade a tela, suja a boca e debocha de tudo. Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, o longa nasce do romance modernista de Mário de Andrade e transforma o anti-herói em espelho do próprio país.

O protagonista é um caboclo preguiçoso, safado e sem escrúpulos que nasce negro na Amazônia, vira branco por mágica e cai de paraquedas em São Paulo. Lá, ele atravessa furnas, descobre a cidade grande, transa com guerrilheiras, come moedas de ouro e ainda enfrenta o Venceslau Pietro Pietra, o gigante capitalista.

O resultado é uma comédia ácida que também é fantasia popular e ficção política. Joaquim Pedro mistura mito, cordel, chanchada, pornôchanchada e crítica social no mesmo caldeirão.

Estreia, impacto e legado

Macunaíma estreou em 31 de dezembro de 1968, em plena ebulição do AI-5. O filme virou sensação imediata e entrou para a história como um dos títulos mais ousados do Cinema Novo.

A obra atravessou décadas como referência obrigatória. Foi restaurada em 4K pela Cinemateca Brasileira, ganhou cópias digitais exibidas em festivais e cineclubes, e segue sendo citada em livros, aulas de cinema e coletâneas do Tropicalismo. Ganhou Kikito de melhor filme no Festival de Gramado e continua em discussões sobre identidade, raça e brasilidade.

Hoje, é tratado como patrimônio audiovisual. Quem não viu perdeu a chance de entender por que tanta gente considera este o maior filme do Joaquim Pedro de Andrade.

Vale o ingresso?

Ponto alto: A direção de arte de Sérgio Signe, com figurinos provocantes, cenário carnavalesco e enquadramentos que parecem pinturas, é um deleite visual. A trilha que mistura Villa-Lobos, Gutemberg Guarita Filho e Rogério Duprat cria uma experiência sonora única.

Ponto alto: O elenco está em estado de graça. Grande Otelo, Paulo José e Dina Sfat entregam atuações físicas, debochadas e memoráveis. A sequência em que Macunaíma come a moedinha de ouro é antológica.

Ponto fraco: O ritmo é irregular. Quem espera narrativa linear vai estranhar o tom fragmentado, anárquico e onírico do roteiro, adaptado de Mário de Andrade.

Ponto fraco: Algumas piadas com estereótipos raciais e regionais, típicas de 1968, podem soar datadas e exigir contexto histórico do espectador.

Curiosidades dos bastidores

  • O ator que começou a gravar como Macunaíma foi Paulo José, mas ele trocou de papel durante a produção, e Grande Otelo assumiu o protagonista.
  • Joaquim Pedro de Andrade pesquisou lendas, rituais e costumes indígenas para construir a Amazônia inicial do filme, incluindo o trabalho do antropólogo Darcy Ribeiro.
  • A fotografia de Alberto Salvá mistura tons saturados e luz natural, com enquadramentos que dialogam com a pintura popular brasileira e o movimento tropicalista.

Perguntas frequentes

Macunaíma (1968) está disponível em streaming?

O filme aparece em catálogos rotativos de plataformas de streaming e em edições em DVD e Blu-ray. A versão restaurada pela Cinemateca Brasileira também circula em mostras e cineclubes pelo Brasil.

Macunaíma tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma seca e simbólica, com o herói engolido por uma onça-pintada e ressurgindo como um pássaro branco. Não há cena extra após os créditos finais.

Qual a diferença entre o filme e o livro de Mário de Andrade?

Joaquim Pedro de Andrade adaptou livremente o romance modernista, atualizando a linguagem para os anos 1960, adicionando crítica política e humor escrachado, e trocando o tom regionalista por uma leitura pop e tropicalista.

O filme é indicado para o público infantojuvenil?

A classificação indicativa é 12 anos, por conta de cenas de nudez, conteúdo sexual explícito, violência estilizada e humor ácido, típicos da narrativa adulta do Cinema Novo.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Cinema Novo e cinema de autor: quem curte Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e a geração tropicalista encontra aqui um manifesto visual.
  • Estudantes e professores de literatura e cultura brasileira: o longa é material de aula para discutir a obra de Mário de Andrade e o modernismo.
  • Curiosos de cinema experimental e de vanguarda: quem gosta de narrativa fragmentada, alegoria e linguagem pop encontra um prato cheio.