Macbeth - Roman Polanski
Macbeth sangrento e sem retoques
Em 1971, Roman Polanski traduziu Shakespeare para o cinema sem tirar o sangue, o suor e o sexo da peça. A premissa continua a mesma do bardo: o general escocês Macbeth (Jon Finch) volta da guerra obcecado por uma profecia.
As três bruxas plantam a semente da ambição. Lady Macbeth (Francesca Annis) rega a semente com manipulação. O que vem depois é um ciclo de assassinatos reais, paranoia real e culpa real.
Filmado no Norte do País de Gales, o longa usa a paisagem inóspita — neblina, lama, pedras — como um quinto personagem, amplificando a solidão moral do protagonista.
Para quem curte adaptações de Shakespeare em chave operística e autoral, é leitura obrigatória.
Quando estreou e por que ainda importa
Lançado em 1971, Macbeth surgiu num momento curioso da carreira de Polanski: o mesmo ano de O Bebê de Rosemary, que o consagraria em Hollywood. O longa recebeu indicação ao Oscar de Melhor Direção de Arte e venceu o BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 2017, foi relançado no Brasil dentro da mostra Shakespeare e Cinema, no IMS-RJ, entre 1º e 11 de dezembro, com um ciclo de 13 adaptações em homenagem aos 400 anos da morte de William Shakespeare. A sessão foi acompanhada por debate com o professor Roberto Rocha, da UFRJ.
Hoje, é lembrado como a adaptação mais crua, adulta e cinematográfica de Macbeth — aquela que não tem medo de mostrar o preço físico da ambição.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a brutalidade visual. Polanski filma os assassinatos sem corte rápido, sem elipse confortável. A morte do rei Duncan é lenta, gráfica e desconfortável — exatamente como a peça pede.
A performance de Francesca Annis como Lady Macbeth é o outro pilar: contida no início, histérica no fim, sem nunca cair no melodrama.
Ponto fraco: o ritmo. Quem não está acostumado com Shakespeare em inglês arcaico pode sentir os 140 minutos pesarem em alguns atos centrais, especialmente o segundo.
Jon Finch, no papel-título, divide opiniões: alguns críticos acham a entrega deliberadamente seca, outros a consideram apática perto de Annis.
- Polanski escalou Jon Finch após assisti-lo em Frenesi (1972), mas o ator não tinha experiência prévia com Shakespeare — o diretor o obrigou a decorar a peça inteira antes das filmagens.
- A cena do assassinato do rei Duncan foi tão sangrenta que parte do elenco se recusou a assistir às gravações no set.
- O filme foi rodado em locações reais no País de Gales, sem estúdio, em condições climáticas tão adversas que a produção quase foi interrompida várias vezes.
Macbeth de Polanski é fiel à peça de Shakespeare?
Sim. É uma das adaptações mais literais já feitas, mantendo a maior parte do texto original em inglês arcaico e a estrutura de cinco atos da tragédia.
Onde foi filmado Macbeth (1971)?
As filmagens aconteceram no Norte do País de Gales, com locações externas em castelos, pântanos e colinas que viraram a Escócia da peça.
Macbeth de Polanski tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com o desfecho clássico da tragédia, sem cenas extras após os créditos.
Quem compôs a trilha sonora de Macbeth (1971)?
A trilha é assinada pelo compositor Third Ear Band, com experimentações eletrônicas e percussivas que dialogam com a aspereza visual do filme.
Pra quem é este filme:
- Quem coleciona adaptações shakespearianas em DVD/Blu-ray e já assistiu Kurosawa, Branagh e Welles.
- Fãs da filmografia de Polanski que partem de O Bebê de Rosemary e O Pianista como obras-primas inegociáveis.
- Leitores de teatro clássico que preferem ver a peça "executada" no palco da tela grande em vez de ler em casa.
Título original: Macbeth - Roman Polanski
País de origem: EUA, Reino Unido
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Roman Polanski