Veja o trailer do filme Lucky

Lucky

Lucky

14 Drama Duração: 1h 28min

Lucky: um adeus em câmera lenta

Lucky é um drama sobre os últimos dias de um ateu de 90 anos que vive sozinho em uma cidade quase fantasma no deserto californiano. A premissa é simples: depois de uma vida inteira fumando, ele descobre que está no fim e usa o tempo que resta para repensar tudo o que sempre rejeitou.

O filme não tem vilão, não tem reviravolta e não tenta arrancar lágrimas forçadas. O que tem é Harry Dean Stanton de cara limpa, andando devagar, conversando com vizinhos esquisitos e encarando a morte como quem encara o sol do meio-dia.

A direção de John Carroll Lynch — que aqui estreia como diretor — é contida, paciente e respeitosa. É o tipo de drama que prefere silêncios a discursos.

Estreia e legado

Lucky estreou no Festival SXSW em março de 2017 e ganhou distribuição nos Estados Unidos pela Magnolia Pictures em julho do mesmo ano. No Brasil, chegou aos cinemas em 7 de dezembro de 2017, distribuído pela Imovision, com carreira discreta em sala e forte vida no circuito de cinema de arte.

É também a despedida em vida de Harry Dean Stanton, que morreu em setembro de 2017, aos 91 anos, pouco depois de divulgar o longa. O filme virou testamento artístico não por acaso, mas por construção: foi feito por gente que cresceu vendo o ator em clássicos como O Poderoso Chefão 2 e À Espera de um Milagre.

Hoje é lembrado como um dos retratos mais honestos sobre envelhecer sozinho já feitos para o cinema independente americano.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a atuação de Harry Dean Stanton carrega o filme inteiro nos ombros. São quase 90 minutos de takes longos, olhares e piadas secas que funcionam como aula de acting.

A presença de David Lynch como Howard, o velho dono de uma loja, é um presente para os fãs — quase um crossover com o documentário sobre o diretor.

Ponto fraco: o ritmo é arrastado de propósito, mas pode soar parado demais para quem espera conflito ou arco dramático tradicional. Não tem vilão, não tem clímax, não tem lição moral fechada.

Também não espere humor escancarado. O tom é seco, quase áspero, e exige paciência do espectador.

Curiosidades

  • Harry Dean Stanton tinha 91 anos durante as gravações e morreu em 15 de setembro de 2017, dois meses após a estreia americana do filme.
  • Foi a estreia de John Carroll Lynch como diretor, com roteiro de Logan Sparks e Drago Sumonja escrito sob medida para o ator.
  • David Lynch e Stanton tinham amizade desde os anos 1970, quando o diretor escalou o ator em Ruas de Fogo e outras obras.

Perguntas frequentes

Lucky é um filme triste?

Não no sentido dramático. É melancólico, sim, mas permeado por humor seco e uma aceitação serena da finitude. O tom é mais calmo do que depriment.

Harry Dean Stanton ganhou algum prêmio por Lucky?

Recebeu indicações em festivais como o Deauville Film Festival, onde levou o prêmio de melhor ator, e foi amplamente celebrado pela crítica como sua despedida definitiva.

Lucky tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com uma sequência silenciosa e os créditos sobem logo em seguida, sem extras.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema independente americano que curtem obras como À Espera de um Milagre ou O Último Desafio.
  • Quem admira a carreira de Harry Dean Stanton e quer ver seu último papel de protagonista.
  • Público interessado em drama existencial, comédia seca e temas sobre finitude, ateísmo e amizade tardia.

Título original: Lucky

País de origem: EUA

Data do lançamento: 07/12/2017

Distribuidora: Imovision

Diretor: John Carroll Lynch

Principais atores: