Loucas de alegria - Festa do cinema italiano
Sobre o que é Loucas de Alegria
Beatrice é uma mulher articulada, expansiva, que se autointitula condessa, fala com Deus como se fosse íntimo e enxerga conspiração em cada canto do hospital psiquiátrico onde está internada.
Donatella é o oposto: silenciosa, jovem, frágil, com um segredo tão pesado que ela não consegue nem nomear.
As duas são consideradas socialmente perigosas e dividem o mesmo pavilhão feminino numa clínica italiana. Quando Beatrice convence Donatella a fugir, nasce uma road movie improvável pelo interior da Toscana, em busca de qualquer fiapo de felicidade.
Dirigido por Paolo Virzì, o filme usa a comédia dramática para perguntar quem, afinal, está mais fora da realidade: as pacientes ou o mundo lá fora.
Estreia e legado
Loucas de Alegria chegou ao Brasil em 16 de março de 2017, dentro da programação da Festa do Cinema Italiano. O título original é La pazza gioia, e a produção franco-italiana representou a Itália na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
A dupla protagonista, Micaela Ramazzotti e Valeria Bruni Tedeschi, dividiu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Europeu de Sevilla. Hoje, o longa é lembrado como um dos retratos mais honestos e ácidos da saúde mental feminina no cinema europeu recente, e dialoga com clássicos sobre instituições totais sem virar panfleto.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as duas atuações centrais. Micaela Ramazzotti explode em cada cena como Beatrice, enquanto Valeria Bruni Tedeschi trabalha nos silêncios, no olhar desviado, nas mãos inquietas de Donatella. É um duelo interno que carrega o filme nas costas.
Ponto fraco: o ritmo é contemplativo. Quem busca plot twist ou reviravoltas dramáticas vai achar o caminho arrastado, especialmente no terceiro ato, que dissolve um pouco a tensão construída até então.
A direção de Paolo Virzì acerta ao tratar a loucura sem spectacularizá-la, apostando em planos longos e na Tosca real como cenário quase terapêutico. Falta, porém, um pouco de risco no desfecho, que escorrega para um sentimentalismo fácil.
Curiosidades
- O longa foi filmado em locações reais da Toscana, incluindo a clínica de Volterra, conhecida internacionalmente por seu manicômio judiciário.
- Paolo Virzì coescreveu o roteiro com Francesca Archibugi pensando em atrizes específicas, o que explica a química incomum entre as duas protagonistas.
- O título italiano, La pazza gioia, é uma citação direta de Emily Dickinson: a alegria insana que só os que sofrem parecem enxergar.
Perguntas frequentes
Loucas de Alegria é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção, mas foi inspirada em casos reais de internações psiquiátricas prolongadas de mulheres na Itália, tema que Paolo Virzì pesquisou por meses antes de escrever o roteiro.
Qual a diferença entre Loucas de Alegria e o lançamento da Festa do Cinema Italiano?
São o mesmo filme. A versão exibida no Brasil em 2017 ganhou o subtítulo Festa do Cinema Italiano por causa do circuito de distribuição, mas o título original segue sendo La pazza gioia.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, com uma última imagem silenciosa que dispensa qualquer complemento. Não vale esperar sentado após a subida do letreiro preto.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Loucas de Alegria em sua versão italiana original e do cinema europeu humanista
- Quem gosta de road movies existenciais, com deslocamento geográfico funcionando como metáfora interna
- Espectadores que curtem dramas femininos de dupla protagonista, como Fique Comigo ou Uma Família
Título original: La pazza gioia
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Paolo Virzì
Principais atores: