Veja o trailer do filme Lola Pater
Lola Pater
O que é Lola Pater
Zino tem 27 anos e acabou de perder a mãe. Filho de imigrantes argelinos, ele cresceu acreditando que o pai, Farid, voltou para a Argélia e nunca mais deu notícias. A verdade é bem outra: Farid nunca saiu da França, não se divorciou e hoje atende por Lola.
O longa de Nadir Moknèche pega esse ponto de virada e constrói uma comédia dramática sobre identidade, luto e recomeço. Nada é tratado com peso excessivo — o filme prefere o deboche, a dança e os silêncios cúmplices.
É o tipo de história que se desenrola em bares, apartamentos pequenos e pistas de dança. A Argélia aparece menos como geografia e mais como memória afetiva dos personagens.
Quando estreou e por que ainda importa
Lola Pater teve estreia mundial no Festival de Locarno em 2017, onde chamou atenção pelo tom irreverente. Chegou aos cinemas brasileiros em 23 de novembro de 2017, com distribuição da Imovision.
Apesar da passagem discreta nas salas comerciais, o filme virou cult entre quem acompanha o cinema de autor francês e produções sobre diáspora. A Fanny Ardant de saída carrega o longa nas costas — impossível falar do filme sem citar o trabalho dela.
Quase dez anos depois, segue atual: o tema da transição de gênero na maturidade ainda é raro no circuito comercial, e Moknèche trata o assunto com humor em vez de moralina.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a dupla entre Fanny Ardant e Tewfik Jallab funciona porque os dois apostam na contenção. Ardant transita do deboche à fragilidade sem cair no caricato, e as cenas de dança arrancam aplausos do espectador.
Existe uma leveza rara no roteiro — o humor surge naturalmente, sem forçar a barra.
Ponto fraco: o terceiro ato acelera resoluções que pediam mais tempo. Algumas pontas ficam soltas, especialmente no arco do Zino com o passado da mãe.
Quem espera um drama pesado pode estranhar o tom. Não é Os Belos Dias solar, nem A Grande Beleza reflexivo — é algo entre os dois, com tempero argelino.
Curiosidades de bastidor
- O diretor Nadir Moknèche também atua no filme, em papel de apoio.
- As sequências de dança foram coreografadas pela própria Fanny Ardant, que improvisava boa parte dos passos.
- A trilha sonora mistura raï argelino e pop francês dos anos 80, escolha que dialoga com a identidade dupla da protagonista.
Perguntas frequentes
Lola Pater tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma direta, sem teasers extras.
É baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, embora se inspire em experiências reais de pessoas trans filhas de imigrantes magrebinos.
Qual a duração de Lola Pater?
São 95 minutos. Compacto, ideal para quem não curte longas arrastados.
Pra quem é este filme:
- Fãs do cinema de Fanny Ardant e do drama francês contemporâneo.
- Quem procura narrativas sobre identidade trans sem viés dramático ou panfletário.
- Interessados em histórias de imigração e diáspora norte-africana na Europa.
Título original: Lola Pater
País de origem: França
Data do lançamento: 23/11/2017
Distribuidora: Imovision
Diretor: Nadir Moknèche
Principais atores: