Veja o trailer do filme Lírios D'Água
Lírios D'Água
Sobre o que é Lírios D'Água
Verão nos subúrbios de Paris. Três adolescentes de 15 anos se conhecem nos corredores e vestiários de uma academia de nado sincronizado. Marie, Anne e Floriane estão entrando na idade em que tudo pesa mais do que deveria: amizade, rivalidade, corpo, desejo.
Dirigido por Céline Sciamma em sua estreia solo na direção, o filme usa a água como metáfora constante — às vezes limpa, às vezes turva, sempre carregada de algo que não se diz em voz alta.
O que começa como retrato de amizade pré-adolescente vai ganhando camadas à medida que olhares se cruzam, corpos se aproximam e hierabilidades sociais aparecem. Sciamma filma esse turbilhão interno com câmera contida, muita paciência e zero didatismo.
Quando estreou e o que aconteceu depois
Lírios D'Água estreou no Festival de Cannes 2007, na mostra Um Certain Regard, e foi comprado por distribuidoras em diversos países. No Brasil, chegou com circulação limitada em cineclubes e mostras de cinema francês.
O impacto foi mais de crítica do que de bilheteria, mas o longa pavimentou a carreira internacional de Sciamma e revelou Adèle Haenel ao mundo, com seu primeiro papel de destaque no cinema.
Hoje é considerado um clássico moderno do drama de formação, citado em listas de melhores filmes sobre adolescência e lésbicas. Ficou na memória de quem o viu na época e virou objeto de descoberta para novas gerações em streaming e mostras retrospectivas.
Vale o ingresso?
Ponto alto: A economia narrativa de Sciamma. Cada cena parece ter sido pensada duas vezes. O roteiro não entrega nada de mão beijada e confia na inteligência do espectador. A estreia de Adèle Haenel é magnética e divide a tela com a descoberta da atriz Pauline Acquart, protagonista silenciosa e inquietante.
Ponto fraco: O ritmo é lento de verdade. Não é pausa dramática, é câmera parada mesmo. Quem não se conectar com o tom intimista nos primeiros 15 minutos provavelmente vai passar o resto do filme esperando por algo que não vem.
Não espere um arco emocional com começo, meio e fim no estilo tradicional. O longa opera por acúmulo, como uma série de sístoles e diástoles entre as três meninas. Funciona muito bem se você se deixar levar.
- Céline Sciamma era roteirista antes de dirigir; Lírios D'Água foi seu primeiro longa e já exibia a sintaxe visual e política que marcaria toda a obra dela.
- Adèle Haenel tinha apenas 18 anos nas gravações, mesma idade das personagens, o que dá autenticidade desconfortável às cenas.
- As cenas de nado sincronizado foram filmadas com coreógrafas reais; a precisão dos movimentos não é efeito especial.
Lírios D'Água é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção, escrita pela própria Céline Sciamma, inspirada em observações da vida adolescente em subúrbios franceses.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, sem sequência adicional ou teaser escondido.
É o mesmo que Garotas, da mesma diretora?
Não, mas o DNA é o mesmo. Garotas (2017) é o segundo longa de Sciamma e tematiza descoberta sexual em uma vila rural, com outra geração de personagens.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu, especialmente obras que tratam juventude e identidade sem moralismo.
- Quem acompanha a carreira de Céline Sciamma e quer entender de onde vem o cinema delicado de Garotas e A Garota Desconhecida.
- Público interessado em dramas sobre despertar sexual e afetivo na adolescência, com tratamento estético e político.
Título original: Naissance des Pieuvres
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2006
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Céline Sciamma
Principais atores: