Veja o trailer do filme Laços de Família
O filme
Em Laços de Família (Fort Bliss no original), a diretora Claudia Myers abandona os códigos do filme de guerra tradicional. Não há trincheiras épicas nem explosões estilizadas.
A câmera fica grudada em Maggie Swann, médica do exército dos EUA interpretada por Michelle Monaghan, durante seu retorno do Afeganistão.
O conflito é doméstico. O inimigo mora dentro de Maggie, dentro de um apartamento apertado e dentro do olhar de um filho que ela mal reconhece depois de anos longe.
É um drama de guerra sem campo de batalha visível, focado na batalha invisível travada por quem volta para casa.
Origem e contexto
Laços de Família estreou em festivais em 2014 e chegou ao circuito internacional como retrato do veterano americano no pós-conflito. O filme dialoga com uma leva de produções independentes dos anos 2010 que tiraram os soldados de Hollywood e os colocaram dentro de casas de subúrbio, terrenos militares e sessões de terapia.
Apesar de escalar Michelle Monaghan, Ron Livingston, Emmanuelle Chriqui e Pablo Schreiber, a produção não disputou grandes festivais nem cobiçou Oscar ou Cannes. Circulou pelo circuito de cinema de autor e encontrou público em mostras de cinema militar e sessões sobre saúde mental de veteranos.
Hoje é lembrado como peça menor, mas útil, para quem estuda como o cinema americano representou a geração que voltou do Afeganistão e do Iraque.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Michelle Monaghan entrega uma das interpretações mais cruas da carreira. A cena em que ela tenta lidar com o filho depois de uma chamada inesperada de madrugada é o tipo de momento que escapa ao cinema de guerra convencional.
O roteiro de Claudia Myers acerta ao mostrar que o heroísmo militar nem sempre se traduz em competência para a vida civil.
Ponto fraco: a segunda metade escorrega para soluções melodramáticas e pelo menos uma virada que o espectador percebe antes da personagem.
O ritmo é lento de propósito, mas pode frustrar quem procura tensão externa em vez de conflito interno.
Curiosidades
- A diretora Claudia Myers também assina o roteiro, fato raro em uma produção americana.
- Antes do filme, Oakes Fegley havia chamado atenção em outro longa, o que ajudou a escalá-lo como filho de Maggie.
- Michelle Monaghan repetiu a parceria com Pablo Schreiber depois de trabalharem juntos em Missão Impossível 6, lançado depois mas filmado no mesmo período.
Perguntas frequentes
Laços de Família é baseado em fatos reais?
Não é uma biografia, mas a diretora Claudia Myers entrevistou veteranos e suas famílias durante a pesquisa, o que dá à história um pé firme na realidade dos soldados que voltam do Afeganistão.
Qual a classificação indicativa de Laços de Família?
O filme é indicado para maiores de 16 anos, por causa de cenas de conflito armado, linguagem forte e temas ligados a trauma psicológico.
Laços de Família tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma fechada e segue o tom sóbrio do restante da narrativa, sem gancho para continuação.
Pra quem é este filme:
- Fãs de guerra fora do gênero de ação, interessados em retratos psicológicos do veterano e em dramas de readaptação à vida civil.
- Público que acompanha Michelle Monaghan desde os papéis de ação e quer ver a atriz em registro mais contido e realista.
- Quem curte obras como Crimes na Madrugada e O Dia do Atentado, que tratam feridas abertas pelos conflitos recentes dos EUA.