Kasamayaki

Kasamayaki

Kasamayaki: o que faz esse documentário

Kasamayaki acompanha a diretora Yuki Kawamura em um retorno ao Japão. Ela desembarca no aeroporto e vai direto para Koriyama, cidade a cerca de 140 km dos reatores de Fukushima.

O documentário parte de uma pergunta simples: por que a família se afastou. A resposta, como o filme mostra, demora.

Yuki entrevista os pais com delicadeza, sem confrontar. Em meio a tarefas domésticas, jardinagem e pequenos tremores, vai arrancando confissões adiadas por anos.

O pano de fundo é o desastre nuclear de 2011. Os pais medem radiação, conferem a água. A casa vira microcosmo de um Japão que sobreviveu e seguiu vivendo.

Trata-se de um documentário observacional no estilo mais contemplativo da tradição japonesa.

Quando estreou e por que importa

Kasamayaki chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017. A escolha da data não foi acidental: marca quase seis anos do terremoto e tsunami que provocaram a crise em Fukushima.

Em um momento em que o tema nuclear ainda dividia opiniões mundo afora, o filme trouxe uma abordagem doméstica. Não há especialistas explicando a crise. Há uma filha perguntando por que a família nunca falou sobre a partida do país.

Passados os anos, Kasamayaki é lembrado justamente por fugir do tom panfletário. Muitos documentários sobre Fukushima apostaram na denúncia. Este apostou na escuta.

É o tipo de obra que circula em mostras de cinema japonês contemporâneo e ganhou espaço em debates sobre documentário autobiográfico.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a forma como a diretora transforma uma conversa familiar em um retrato maior de um país traumatizado. As pausas são eloqüentes.

Os pequenos tremores filmados na casa, a medição de radiação na água, a jardinagem quase ritualística. Tudo vira metáfora sem precisar explicar nada.

Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera informações sobre Fukushima ou um fio narrativo tradicional pode se frustrar.

É um filme de atmosferas, não de respostas. Exige paciência do espectador.

Curiosidades de bastidores

  • O título Kasamayaki se refere a um tipo de bolinho de arroz japonês, presente em momentos chave do filme como símbolo de afeto e rotina.
  • A diretora morou no Brasil por anos, o que ajuda a explicar a distribuição do filme por aqui em 2017.
  • As cenas de medição de radiação foram capturadas com equipamentos caseiros dos próprios pais, sem encenação.

Perguntas frequentes sobre Kasamayaki

Kasamayaki é um documentário sobre Fukushima?

Não exclusivamente. O desastre nuclear é o pano de fundo, mas o foco está na relação da diretora com os pais e no silêncio que marcou a família.

Quem dirige Kasamayaki?

A direção é de Yuki Kawamura, que também protagoniza o filme em primeira pessoa.

Kasamayaki tem cena pós-créditos?

Não. O documentário termina de forma contemplativa, sem qualquer adição após os créditos finais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de documentário observacional japonês, no estilo de Naomi Kawase e Hirokazu Kore-eda
  • Interessados em narrativas sobre o legado de Fukushima e a vida cotidiana após desastres
  • Quem aprecia cinema de reconexão familiar e dramas autobiográficos silenciosos

Título original: Kasamayaki

Data do lançamento: 16/03/2017