Joelma 23º Andar
Um prédio em chamas e uma mãe em busca de sinais
Em 1º de fevereiro de 1974, o Edifício Joelma, no centro de São Paulo, virou cinzas. As chamas deixaram 179 mortos e mais de 300 feridos. O filme Joelma 23º Andar parte desse trauma real para construir uma narrativa de perda e reconexão espiritual.
A jovem Lucimar trabalha em um dos escritórios do prédio. No dia do incêndio, ela morre, enquanto seu irmão Alfredo consegue escapar. A mãe, Dona Lucinda, mergulha em uma depressão profunda.
Desesperada por notícias da filha, ela procura o médium Chico Xavier em Uberaba, esperando uma mensagem do outro lado. É nesse encontro que o longa encontra seu eixo dramático, entre o luto e a fé.
Baseado no livro Somos Seis, psicografado por Chico Xavier, o filme mistura reconstituição histórica, drama familiar e discurso espiritual sem pedir licença ao espectador.
Lançamento, contexto e lugar na história do cinema
Lançado em 1980, Joelma 23º Andar entrou em cartaz seis anos após a tragédia que retrata. A escolha do intervalo não foi acidental: o filme usou o tempo para transformar o luto coletivo em narrativa simbólica.
É considerado o primeiro longa-metragem brasileiro de temática espírita a ganhar circuito comercial. Antes dele, obras como Eu Faço... Elas Sentem (1976) tratavam de temas correlatos em chave erótico-espiritual, sem o recorte de fé explícito.
A produção dialoga com outras tentativas do cinema nacional de retratar tragédias reais, como O Outro Lado do Crime (1979). Mesmo com recursos limitados, o filme se firmou como peça de referência para quem estuda o cinema de ficção de temática religiosa no Brasil.
Hoje, o título sobrevive mais pelo valor histórico e simbólico do que pelo reconhecimento de crítica. Está nos acervos sobre cinema espírita e é revisitado em mostras temáticas.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a coragem de abordar uma tragédia real sob a ótica espírita, com Beth Goulart entregando uma Lucimar de presença silenciosa e marcante. O longa tem um peso emocional raro para o cinema brasileiro de baixo orçamento dos anos 1980.
Ponto fraco: a direção de Clery Cunha é funcional, mas o ritmo derrapa em passagens expositivas. A reconstituição do incêndio sofre com efeitos limitados, e quem espera um filme técnico vai sair frustrado.
É uma obra de nicho, feita para um público específico. Fora desse recorte, custa engajar.
- O filme é considerado o primeiro longa brasileiro de temática espírita a chegar ao circuito comercial, abrindo caminho para títulos posteriores como Nada a Perder.
- A obra é adaptada do livro Somos Seis, psicografado por Chico Xavier, que se baseou em relatos de espíritos supostamente ligados às vítimas do incêndio do Edifício Joelma.
- Chico Xavier aparece no filme interpretando a si mesmo, no que se tornou um dos registros audiovisuais mais vistos do médium em produções ficcionais da época.
Perguntas frequentes sobre Joelma 23º Andar
Joelma 23º Andar é baseado em fatos reais?
Sim. O filme parte do incêndio do Edifício Joelma, ocorrido em 1º de fevereiro de 1974, em São Paulo, e usa o livro Somos Seis, de Chico Xavier, como base narrativa.
Quem é o diretor de Joelma 23º Andar?
A direção é de Clery Cunha, cineasta mineiro que dedicou parte da carreira a títulos de temática espírita.
Qual é a duração do filme Joelma 23º Andar?
O longa tem aproximadamente 80 minutos, formato compacto típico das produções de baixo orçamento dos anos 1980 no Brasil.
Pra quem é este filme:
- Leitores de Chico Xavier e obras psicografadas: quem já devorou Somos Seis e outros títulos do médium encontra aqui uma adaptação direta, com a chance de ver personagens de sua literatura na tela.
- Estudiosos do cinema brasileiro de gênero: pesquisadores e curiosos sobre títulos raros da ficção nacional, especialmente os de temática espiritual dos anos 1970-80, têm em Joelma 23º Andar um documento histórico.
- Interessados em tragédias reais e suas representações: quem consome documentários, reportagens e dramas sobre o incêndio do Joelma encontra no filme um ângulo ficcional pouco explorado.
Título original: Joelma 23º Andar
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Clery Cunha
Principais atores: