Veja o trailer do filme Jane

Jane

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Nos anos 1960, a National Geographic enviou o cinegrafista Hugo van Lawick para a Tanzânia com uma missão simples: registrar o trabalho de uma jovem pesquisadora inglesa que vivia entre chimpanzés. Ele voltou com mais de 140 horas de película 16mm.

Esse material ficou esquecido em arquivos por décadas — até o diretor Brett Morgen transformar o que era registro bruto em um dos documentários mais bonitos da última década.

Longe do formato convencional de filmes de natureza, Jane funciona como um épico romântico: a história de amor entre Jane Goodall e os chimpanzés de Gombe, contada sem narração expositiva, com a voz original da pesquisadora guiando o espectador.

Estreia e legado

O filme estreou no Festival de Toronto em 2017, onde foi ovacionado de pé. No Brasil, chegou aos cinemas em circuito de festival em 2018, com distribuição limitada.

Foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2018, disputando a estatueta com Icarus e Strong Island. Perdeu para Ícaro, mas a indicação consolidou a reputação de Morgen, que já tinha brilhado em Cobain: Montage of Heck.

Hoje, Jane é lembrado como um caso raro em que o resgate de arquivo supera o filme original de natureza — a montagem de Morgen, combinada à trilha de Philip Glass, virou referência obrigatória para quem trabalha com biografias audiovisuais.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a montagem. Morgen transforma 140 horas de material bruto em uma narrativa de 90 minutos que respira, com ritmo de cinema e não de TV. A trilha de Philip Glass potencializa cada olhar trocado entre Jane e os chimpanzés.

A voz de Jane Goodall, ouvida pela primeira vez em gravações originais da época, dá uma intimidade rara — quase como se o espectador estivesse sentado ao lado dela na floresta.

Ponto fraco: quem busca um documentário científico tradicional, com dados, tabelas e contextualização etológica, vai sair frustrado. O filme prioriza a poesia sobre a ciência.

O segundo ato, focado no relacionamento de Jane com Hugo van Lawick, pode parecer lento para quem só quer saber de chimpanzés.

Curiosidades

  • As 140 horas de filme estavam armazenadas no Arquivo Nacional de Filmes dos EUA e nunca tinham sido vistas pelo público.
  • Brett Morgen descobriu o material enquanto pesquisava outro projeto, e decidiu transformá-lo em documentário depois de ouvir as gravações de áudio de Goodall.
  • Philip Glass compôs a trilha especialmente para o filme depois de assistir ao corte inicial — foi uma de suas raras colaborações com o cinema documental.

Perguntas frequentes

Jane é um documentário de natureza ou uma biografia? É os dois, mas偏向 para o lado biográfico. A narrativa é centrada em Jane Goodall como pessoa, não nos chimpanzés como espécies.

O filme tem cena pós-créditos? Não. A narrativa termina com a partida de Goodall de Gombe e os créditos finais aparecem imediatamente após a última cena.

Qual a classificação etária? Indicado para 12 anos. Não há conteúdo sensível, mas algumas cenas com animais em situações de conflito podem impressionar espectadores mais sensíveis.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de documentários de arquivo e de reconstrução histórica, no estilo de Moonage Daydream e mostras de cinema biográfico.
  • Leitores de biografias de mulheres pioneiras, primatologia e histórias de exploração científica do século XX.
  • Público que consome o canal National Geographic, mas prefere narrativas autorais em vez de formato de revista televisiva.

Título original: Jane

País de origem: Estados Unidos

Distribuidora: Festival

Diretor: Brett Morgen

Principais atores: