Veja o trailer do filme Instinto Selvagem 2
Instinto Selvagem 2: a perigosa volta de Catherine Tramell
Catherine Tramell troca São Francisco por Londres e leva consigo o mesmo apetite por jogos mentais que definiu o primeiro filme. Quando um astro do esporte morre de forma suspeita, a Scotland Yard escala o psicanalista Michael Glass para avaliá-la.
Dirigido por Michael Caton-Jones, o filme aposta no confronto entre a frieza analítica de Glass e a sedução calculada de Tramell, escrita por Sharon Stone com a mesma languidez glacial de 1992. O erotismo deixa de ser insinuado e vira explicitação gratuita, um erro de cálculo que pesa no resultado final.
A premissa sustenta o suspense nas duas primeiras cenas, mas o roteiro de Leora Barish e Henry Bean se perde entre subtramas mal costuradas e reviravoltas que soam preguiçosas.
Estreia e legado: o desastre da sequência tardia
Instinto Selvagem 2 chegou aos cinemas brasileiros em 21 de abril de 2006, distribuído pela Columbia Pictures do Brasil, catorze anos depois do original que consagrou Sharon Stone.
O estúdio tentou transformar a demora em apelo nostálgico, com a volta de Joe Eszterhas no roteiro e Paul Verhoeven creditado como produtor executivo, ainda que fora da direção. O resultado de bilheteria foi medíocre nos Estados Unidos e a Europa também não respondeu.
A crítica tratou o filme como peça de museu do erro: figurou em listas anuais de piores longas, venceu categorias negativas no Framboesa de Ouro e é citado até hoje como exemplo clássico de sequência desnecessária. A marca de Stone, no entanto, sobreviveu intacta ao naufrágio, justamente porque o problema nunca foi a atriz.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Sharon Stone está comprometida com a personagem e Charlotte Rampling surge como uma antagonista intelectual muito mais interessante que o próprio Michael Glass.
Ponto alto: a direção de arte captura um Londres cinzento e clínico, com a Londres dos hospitais psiquiátricos funcionando quase como um personagem extra.
Ponto fraco: o erotismo é explicitado de forma gratuita e constrangedora, perdendo a tensão perversa do filme de 1992.
Ponto fraco: o roteiro entrega reviravoltas preguiçosas e um terceiro ato que beira o involuntariamente cômico.
Curiosidades de bastidores
- O roteiro original foi escrito por Joe Eszterhas antes do sucesso de 1992 e ficou engavetado por mais de uma década até o estúdio retomar o projeto.
- Paul Verhoeven recusou o cargo de diretor, mas permaneceu como produtor executivo para manter o crédito da franquia.
- Sharon Stone foi a única atriz considerada para reprisar o papel, e seu cachê teria girado em torno de 13 milhões de dólares.
Perguntas frequentes
Instinto Selvagem 2 é continuação direta do primeiro filme?
Sim, a narrativa começa com Catherine Tramell deixando os Estados Unidos e se instalando em Londres, ignorando qualquer desdobramento dos personagens do original.
O filme vale a pena em 2024?
Só para quem gosta de cinema ruim assumido ou para completistas da filmografia de Sharon Stone. Para quem procura um bom suspense erótico, o longa original de 1992 continua infinitamente superior.
Instinto Selvagem 2 tem cena pós-créditos?
Não, o filme termina de forma convencional e não apresenta cenas extras durante ou após os créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs do filme original curioso para entender o tamanho do desastre desta sequência tardia.
- Quem curte coleções de cinema ruim assistido em sessões de cinema trash com amigos.
- Estudiosos de erotismo cinematográfico interessados em como Hollywood transformou tensão sexual em explicitação gratuita nos anos 2000.
Título original: Basic Instinct 2 : Risk Addiction
País de origem: EUA
Data do lançamento: 21/04/2006
Distribuidora: Columbia Pictures do Brasil
Diretor: Michael Caton-Jones
Principais atores: