Incubus
O Filme
Incubus é um terror dos anos 1960 que trocou lobisomens e vampiros por súcubos e demônios incumbidos de coletar almas pecadoras. A premissa gira em torno de Kia, uma criatura que já se cansou de carregar homens libertinos para o inferno — trabalho fácil demais.
O ponto de virada surge quando ela cruza com Marc, um soldado marcado pela guerra que carrega coragem e, principalmente, bondade. O encontro entre um demônio entediado e um homem genuinamente bom vira o motor do filme, arrastando a história para o território da dúvida existencial e do amor como castigo.
Direção de Leslie Stevens, elenco com Allyson Ames, Eloise Hardt e William Shatner, e um detalhe de produção que virou lenda: o longa foi filmado inteiramente em esperanto.
Estreia e Legado
Lançado originalmente em 1966, Incubus estreou no circuito de cinema de arte nos Estados Unidos e quase sumiu do radar por décadas. A versão brasileira em circuito comercial chegou em 2017, em cópias restauradas, devolvendo o filme a um público que jamais tinha tido acesso a ele.
Hoje, é cultuado por cinéfilos interessados em horror off-mainstream e em curiosidades de Hollywood. Não levou Oscar nem passou por Cannes, mas é citado em livros sobre cinema fantástico dos anos 1960 e em documentários sobre William Shatner. A decisão de filmar em esperanto, criada pelo oftalmologista L. L. Zamenhof, é o detalhe que o manteve vivo na memória cinéfila.
Está entre os filmes procurados por quem curte o terror psicologico dos anos 1960, junto a raridades como O Colecionador.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: a curiosidade histórica. Ver um filme de horror dos anos 1960 estrelado por William Shatner, falado em esperanto, é um daqueles achados que justificam a sessão por si só.
Ponto alto: o conflito interno de Kia. A ideia de um súcubo que se apaixona e questiona a própria missão dá ao filme uma camada filosófica que o gênero raramente oferece.
Ponto fraco: a execução fria. A direção de Leslie Stevens é burocrática, a fotografia não cria atmosfera e os sustos são quase inexistentes.
Ponto fraco: o ritmo lento cobra seu preço. Os 78 minutos passam rápido, mas a sensação de imobilidade persiste até o ato final.
Curiosidades
- O filme foi rodado inteiramente em esperanto, língua criada em 1887 por L. L. Zamenhof. É um dos pouquíssimos longas profissionais falados nessa língua.
- William Shatner foi escalado por Leslie Stevens a partir de um teste de câmera realizado em três idiomas diferentes antes de optarem pelo esperanto.
- O ator Milos Milos. morreu poucos anos depois, em 1968, em um incidente em Los Angeles, o que ajudou a alimentar o mito de maldição em torno da produção.
Perguntas Frequentes
Incubus é um filme de terror convencional?
Não. É um terror filosófico, com pouca violência explícita e nenhum susto tradicional. A tensão vem do conflito moral entre os personagens, não de jumpscares.
Por que o filme é falado em esperanto?
Foi uma decisão artística do diretor Leslie Stevens, que acreditava que a língua artificial reforçaria a sensação de mundo atemporal e deslocado do longa.
Incubus tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina na cena da forja, sem cenas extras durante ou depois dos créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de William Shatner obcecados pela filmografia completa do ator, especialmente os títulos fora de Jornada nas Estrelas.
- Cinéfilos que colecionam raridades de horror dos anos 1960 e procuram filmes em línguas inventadas ou de produção incomum.
- Estudiosos de cinema fantástico interessados em obras que discutem livre-arbítrio, moral e demonologia sem apelar para gore.
Título original: Incubus
País de origem: EUA
Data do lançamento: 17/03/2017
Diretor: Leslie Stevens
Principais atores: