Veja o trailer do filme I Love You, Daddy
Sobre o que é I Love You, Daddy
Glen Topher é um produtor de TV bem-sucedido que acha que controla tudo — até a filha China, de 17 anos, começar a namorar um cineasta de 68 anos.
Dirigido, escrito e protagonizado por Louis C.K., o longa assume um tom de comédia de humor desconfortável sobre paternidade tardia, fama e hipocrisia moral. Leslie Goodwin, o namorado vivido por John Malkovich, é um elegante diretor em fim de carreira que se parece muito com Woody Allen — e isso não é coincidência.
O roteiro aposta em diálogos rápidos e em situações que beiram o grotesco, com cara de drama existencial disfarçado de comédia nova-iorquina.
Linha do tempo e legado
I Love You, Daddy foi finalizado em 2017 e estava pronto para ser distribuído pela produtora The Orchard. Estrearia nos cinemas dos EUA em novembro daquele ano.
Após as denúncias públicas contra Louis C.K. em novembro de 2017, a distribuidora cancelou o lançamento. O filme só chegou a circular em circuitos muito limitados e em streaming, sem estreia oficial em salas brasileiras.
Apesar disso, o longa se transformou em um documento de época: registra um momento específico do cinema independente americano pré-#MeToo, com seu elenco original intacto — incluindo Chloë Grace Moretz, Charlie Day, Rose Byrne e Helen Hunt.
Hoje é lembrado mais como curiosidade cultural do que como obra de referência, mas segue sendo estudado por discutir os limites entre autor, persona e responsabilidade pública.
Vale o ingresso?
Ponto alto: John Malkovich está impagável como o cineasta decadente Leslie Goodwin. Cada fala dele parece saída de uma peça de Mamet. O elenco de apoio — Rose Byrne, Edie Falco e Pamela Adlon — entrega atuações contidas e certeiras que equilibram o tom.
Ponto fraco: o terceiro ato perde fôlego e o roteiro se perde entre subtramas mal costuradas. A graça de incomodar se esgota antes do final, e algumas piadas dependem de um contexto moral que ficou datado.
Curiosidades
- O personagem de Malkovich foi pensado como uma paródia direta de Woody Allen, a ponto de a produção cogitar o próprio Allen para o papel.
- Após as denúncias contra Louis C.K., a The Orchard descartou o filme, e as cópias finais viraram raridade de festival.
- O roteiro foi escrito em segredo em apenas algumas semanas, segundo entrevistas do próprio diretor na pré-estreia.
Perguntas frequentes
I Love You, Daddy tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma resolutiva e não traz cenas extras durante ou depois dos créditos.
I Love You, Daddy é bom?
É um filme irregular, com atuações sólidas e humor afiado, mas que pesa o próprio contexto de bastidores. Vale como objeto de estudo mais do que como entretenimento leve.
I Love You, Daddy está disponível em streaming no Brasil?
Não houve lançamento oficial em cinemas brasileiros. Eventualmente aparece em catálogos internacionais, mas sem distribuição regular no país.
Pra quem é este filme:
- Fãs de comédia americana uncomfortable, no estilo de Blue Jasmine e dos longas mais ácidos de Woody Allen.
- Quem acompanha o trabalho autoral de Louis C.K. e quer entender a última fase da carreira dele como diretor de cinema.
- Estudiosos de cultura pop e jornalismo cultural interessados em casos de cancelamento e na relação entre artista e obra.