Hurricane Bianca
Um professor contra-ataca com purpurina
Tim é um professor de Ciências em uma escola do Texas. Metido, dedicado, apaixonado pela profissão. Em outras palavras, o tipo de profissional que poderia dar orgulho a qualquer coordenação. Mas um detalhe pessoal muda tudo.
Descobrem um perfil dele em uma rede social voltada ao público gay. Em uma escola conservadora, isso basta. Tim é demitido sem muita cerimônia, acusado de mau exemplo. A mesma comunidade que se vende como defensora da liberdade individual mostra a face mais covarde da hipocrisia.
É aí que a virada acontece. O professor, com sangue nos olhos, assume a identidade da drag queen Bianca del Rio. Roy Haylock dá vida aos dois personagens. Consegue uma vaga na mesma escola e entra como mulher. E aí o circo começa a pegar fogo.
Para quem curte comédia com humor ácido, é aquele tipo de filme que diverte sem pedir licença.
Quando estreou e por que virou cult
Estreou em 2016, escrito e dirigido por Matt Kugelman, com produção independente voltada diretamente para o circuito LGBT e o público de RuPaul's Drag Race. Ganhou distribuição internacional via Netflix, o que o transformou em cult.
A continuação, Hurricane Bianca 2: From Russia with Hate, chegou em 2018 mantendo a mesma pegada debochada. É daqueles títulos que pouca gente fala, mas quem assiste costuma recomendar de boca em boca.
Hoje, o filme aparece com regularidade em listas de comédia LGBT indispensáveis, lado a lado com clássicos como Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Newmar (1994). Nada mal para um título que nasceu com orçamento modesto.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as sacadas de Bianca del Rio funcionam como socos de humor ácido. Roy Haylock domina a arte da réplica rápida e do deboche preciso. Quem acompanha o universo drag reconhece o timing de alguém que já chegou para ficar.
Ponto fraco: o roteiro é frouxo. Apostado demais no carisma do elenco e no improviso, deixa arestas dramáticas mal costuradas. A reviravolta central, por mais divertida, não foge muito do que já foi feito em A Guerra dos Sexos (2017) ou Esposa de Mentirinha (2011).
Se o humor ácido é seu gênero favorito, vale mais a maratona do que a ida ao cinema. Assista com amigos, com vinho, com risada alta. Sozinho perde metade do brilho.
Curiosidades de bastidor
- Roy Haylock interpreta os dois personagens principais sem CGI, trocando figurinos e expressões em transições rápidas entre as cenas.
- RuPaul, ícone máxima da cultura drag, faz uma participação no longa como uma homenagem declarada ao público do reality show.
- Sequência: Hurricane Bianca 2 foi financiada parcialmente por crowdfunding, mostrando a força da base de fãs construída pelo primeiro filme.
Perguntas frequentes
Hurricane Bianca tem cena pós-créditos?
Não, o filme fecha sua história dentro do tempo padrão de comédia. Quando os créditos sobem, tudo já foi dito.
É bom pra quem não acompanha drag?
Funciona mesmo sem acompanhar RuPaul's Drag Race. O humor é universal, o contexto é explicado pelo próprio roteiro. Perde algumas piadas internas, mas diverte sem essa bagagem.
Onde assistir Hurricane Bianca online?
Já passou pela Netflix no Brasil. Hoje aparece em catálogos de streaming por assinatura e aluguel digital em plataformas como iTunes e Google Play. Confirme disponibilidade no seu aplicativo preferido.
Pra quem é este filme:
- Fãs de RuPaul's Drag Race e da cultura drag internacional em busca de longas com humor mordaz.
- Quem gosta de comédia ácido-irônica com pegada de comédia clássica de vingança.
- Espectadores que curtem humor LGBT assumido, fora do lugar-comum e sem discurso moralizante.