Veja o trailer do filme Histórias que só existem quando lembradas
O filme
No Vale do Paraíba, a cidade fictícia de Jotuomba sobrevive à sombra de fazendas de café que já não existem mais. Prédios antigos, ruas vazias e um único cemitério trancado formam o cenário onde vive Madalena, uma padeira viúva que não consegue seguir em frente.
O ponto de partida é a chegada de uma jovem fotógrafa em busca de trens abandonados. Aos poucos, a presença dela perturba a rotina da vila e, principalmente, a relação de Madalena com a memória do marido morto. O que segue é menos uma narrativa convencional e mais uma imersão silenciosa em um Brasil rural que o tempo esqueceu.
Dirigido por Julia Murat, o longa mistura drama e ficção com liberdade poética, apostando em planos longos, silêncio e imagens que valem mais que qualquer diálogo explicativo.
Estreia e legado
Estreou em 06 de julho de 2012, com distribuição limitada nas salas brasileiras. Não foi um filme de público massivo, mas circulou com força no circuito de festivais.
Conquistou o prêmio de melhor filme na mostra competitiva do Festival de Locarno, na Suíça, um dos mais prestigiados da Europa para o cinema autoral. Também foi selecionado para mostras competitivas em festivais como Mar del Plata, na Argentina, e Toulouse, na França.
É lembrado como um dos trabalhos mais pessoais de Julia Murat, herança direta das filmagens de Brava gente brasileira (2000), dirigido por sua mãe, Lucia Murat, onde a diretora conheceu um cemitério fechado no interior do Mato Grosso. Daquele impacto nasceu a vontade de filmar o absurdo de um cemitério sem função.
Hoje, o filme circula em mostras retrospectivas e continua sendo referência dentro do cinema de contemplação produzido no Brasil na última década.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a cinematografia de Julia Murat transforma ruínas do Vale do Paraíba em paisagem emocional. As texturas, a luz e o som ambiente criam uma atmosfera que segura o espectador mesmo nos momentos mais parados.
Ponto alto: a interpretação silenciosa de Sonia Guedes como Madalena é contida, física, comovente. Rosto fechado, corpo presente, palavras raras.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca uma narrativa com viradas, conflitos explícitos ou resolução clara vai sair frustrado. O filme exige paciência e entrega ao silêncio.
Ponto fraco: o arco da fotógrafa fica subdesenvolvido em alguns momentos, servindo mais como catalisador do que como personagem plenamente construído.
Curiosidades
- A ideia do filme nasceu quando Julia Murat filmava Brava gente brasileira (2000), da mãe Lucia Murat, e visitou um cemitério fechado no Mato Grosso do Sul.
- A cidade de Jotuomba não existe: foi criada pela diretora para retratar vilas decadentes do interior brasileiro após o declínio do café.
- O longa venceu o prêmio de melhor filme na competição do Festival de Locarno, na Suíça, em 2012.
Perguntas frequentes
O filme Histórias que só existem quando lembradas é baseado em fatos reais?
Não. A cidade de Jotuomba é fictícia, mas o contexto de decadência econômica do Vale do Paraíba e de vilas do interior do Brasil é real e inspirou a história.
Qual é a classificação etária do filme?
A classificação indicativa é 10 anos, por conter temas leves de morte e luto tratados de forma simbólica.
Histórias que só existem quando lembradas tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina antes dos créditos finais, sem cenas extras ou referências a outras obras.
Quem dirige o filme?
A direção é de Julia Murat, cineasta brasileira conhecida por obras de ficção autoral e documentários políticos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema autoral brasileiro, especialmente das obras de Julia Murat e A Hora da Estrela.
- Interessados em dramas contemplativos sobre memória, luto e lugares esquecidos pelo tempo.
- Quem curte fotografia de cinema marcante, com foco em paisagens rurais decadentes e trilha sonora mínima.
Título original: Histórias que só existem quando lembradas
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 06/07/2012
Diretor: Julia Murat
Principais atores: