Veja o trailer do filme Histórias dos dois que sonharam
O que acontece neste filme
Em um antigo condomínio de Toronto, refugiados aguardam a resposta oficial para seus pedidos de asilo no Canadá. A aprovação significa recomeço; a recusa, o retorno forçado a um passado que poucos querem rever.
Os diretores Andrea Bussmann e Nicolás Pereda transformam esse limbo geográfico em matéria-prima. A câmera entra em apartamentos, corredores e cozinhas onde a família Laska — Sandorné, Sandor, Timea, Alexander e Viki — reconta migrações, fantasmas e superstições.
O resultado é um filme que recusa a fronteira entre documentário e ficção. Uma criança vira pássaro. Uma mãe enlouquece após perder o filho. Ciganos húngaros narram festas, exílios e canções de ninar como quem costura um mapa afetivo. A espera burocrática, filmada com paciência etnográfica, vira território de fábulas.
Onde e quando nasceu
Estreou em fevereiro de 2016 no Festival de Berlim, exibido na seção Forum, dedicada a trabalhos de linguagem radical. A passagem por Berlim deu à coprodução México-Canadá visibilidade no circuito de cinema de arte.
No Brasil, chegou aos cinemas em 16 de março de 2017, com distribuição da Festival Filmes e circuito bastante restrito. A curta janela de exibição reforça seu caráter de obra para cinéfilos e programadores de mostras.
Hoje é lembrado como uma das experiências mais singulares do cinema de refúgio da década de 2010, citada em retrospectivas sobre hibridismo entre ficção e documentário. Para quem pesquisa o tema, é peça de referência ao lado de títulos como Os Ausentes e A Aula Vazia.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Bussmann e Pereda transforma um prédio de refugiados em organismo narrativo. As histórias de Sandorné e Sandor funcionam como álbuns de família narrados em voz alta, atravessando trauma, fé e humor seco.
A recusa de didatismo é o que salva o filme de virar panfleto sobre crise migratória. Cada cena confia no silêncio e na duração.
Ponto fraco: o ritmo é exigente. Quem busca narrativa linear, com arcos fechados e viradas dramáticas marcadas, vai sentir falta de estrutura clássica.
As camadas de fabulação exigem atenção constante, sob risco de o espectador se perder no meio das histórias paralelas. É cinema para ver sentado, sem celular.
- O longa é uma coprodução entre México e Canadá filmada inteiramente em Toronto, mas falada majoritariamente em húngaro — o que reforça o tema de comunidade diaspórica.
- Andrea Bussmann e Nicolás Pereda construíram o roteiro a partir de meses de convivência com a família Laska no condomínio real que serve de cenário.
- A passagem pela seção Forum do Festival de Berlim 2016 colocou o filme ao lado de obras experimentais que também recusam a separação rígida entre ficção e documentário.
Histórias dos Dois que Sonharam é documentário ou ficção?
É um híbrido. A direção mistura entrevistas reais, encenações e fabulações narradas pelos próprios personagens, sem marcar claramente onde termina um registro e começa outro.
Onde o filme foi gravado?
As filmagens aconteceram em um antigo condomínio de Toronto, no Canadá, onde de fato vivem famílias de refugiados que esperam decisão sobre pedidos de asilo.
Em qual festival o longa estreou?
Estreou no Festival de Berlim 2016, na seção Forum, voltada a obras de linguagem autoral e experimental. A chegada ao Brasil ocorreu em março de 2017.
Pra quem é este filme:
- Entusiastas de cinema de festival que colecionam catálogos da Berlinale Forum e programações da Mostra de Tiradentes.
- Pesquisadores e estudantes de migração, refúgio e diásporas ciganas no Leste Europeu que usam audiovisual como fonte etnográfica.
- Leitores de ensaios sobre hibridismo entre documentário e ficção, fãs de Chantal Akerman, Wang Bing e Pedro Costa.
Título original: Historias de Dos que Soñaron
País de origem: México / Canadá
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Andrea Bussmann, Nicolás Pereda
Principais atores: