Veja o trailer do filme Garota Infernal

Garota Infernal

O filme em poucas linhas

Em Devil's Kettle, uma cidadezinha americana que parece saída de um catálogo de tédio suburbano, as inseparáveis Jennifer e Needy arrastam uma amizade de infância feita de segredos, festas e conflitos não ditos.

Tudo muda na noite em que uma banda indie resolve fazer show num bar duvidoso da região. Um incêndio mata parte do público. As duas escapam, mas Jennifer some na van do vocalista e volta pra casa... diferente.

A partir daí o longa assinado por Karyn Kusama mistura horror adolescente, comédia de humor negro e crítica de gênero, num filme que usa dentes, sangue e sarcasmo pra falar de amizade feminina, desejo e poder.

Quando chegou às telas e por que voltou a importar

Lançado em 2 de março de 2009 no Brasil, Garota Infernal chegou com o carimbo de "filme da Megan Fox" e o marketing de um terror adolescente estilo Sessão de Terror. O resultado nos cinemas foi fraco: crítica morna, bilheteria abaixo do esperado e a reputação de objeto descartável.

O tempo, porém, foi generoso. Com a virada dos anos 2010, o filme foi adotado por públicos que não existiam em 2009: fãs de horror com comentário social, leitoras de slash fiction, público queer e entusiastas de cinema "bruxa". Hoje ele aparece em listas de cult obrigatório, ganhou edições em blu-ray com brindes e é citado em livros sobre terror feminino.

Reconhecer o erro do passado virou até piada interna: a roteirista Diablo Cody já admitiu publicamente que a repercussão negativa foi um "desastre de imagem". O filme não ganhou nenhum prêmio relevante de cinema, mas levou o papel de Needy a Amanda Seyfried ao protagonismo em Hollywood.

Vale o ingresso?

Ponto alto: Megan Fox como vilã é um presente. Ela entrega uma cheerleader possuída que entende o próprio poder e usa o corpo como arma, com deboche na voz e olhar de quem sabe o efeito que causa. O elenco de apoio tem caras que virariam famosos depois, como Chris Pratt e Adam Brody.

Ponto fraco: o terceiro ato cansa. As mortes viram rotina, a montagem acelera demais e algumas soluções de roteiro são preguiçosas, especialmente no desfecho da relação entre as duas protagonistas.

Para um filme de 2009, a trilha pop-punk continua segurando bem a barra e envelhejou até melhor que o próprio longa em alguns momentos.

Curiosidades de bastidor

  • O roteiro é de Diablo Cody, mesma roteirista de Juno. O estúdio apostou tanto nela que bancou um roteiro assumidamente lésbico, debochado e feminista num mercado ainda conservador.
  • Foi um dos primeiros papéis grandes de Chris Pratt no cinema, três anos antes de Jurassic World e seis antes de Guardiões da Galáxia.
  • A trilha reúne bandas como Paramore, Panic! at the Disco e Florence and the Machine, o que transformou o filme em cápsula do tempo sonoro do fim dos anos 2000.

Perguntas frequentes

Garota Infernal é terror ou comédia?

É os dois. O longa se assume como terror com humor desde a abertura, com morte, piada e crítica na mesma cena.

Tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma definitiva e não há cenas extras durante ou depois dos créditos finais.

Vale a pena ver em 2025?

Vale, especialmente se você curte terror com comentário de gênero e quer entender por que o longa virou cult. Só não espere sustos no estilo Invocação do Mal.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de comédia ácida que não se importam com sangue e sarcasmo na mesma frase.
  • Quem gosta de horror com crítica de gênero, tipo Teeth e o terror de vingança dos anos 2010.
  • Adolescentes e jovens adultos que cresceram com cultura pop da MTV, Scott Pilgrim e bandas como Paramore, Fall Out Boy e Panic! at the Disco na lista do iPod.