Sobre o que é Fukushima, Mon Amour
Marie é uma jovem alemã que decide recomeçar a vida no Japão. Ela se voluntaria para a Clowns4Help, um grupo que tenta animar os sobreviventes do desastre nuclear de 2011 em Fukushima.
O problema é que Marie não nasceu para fazer palhaçada. A piada não sai, o choro alheio a engole e ela percebe que está fugindo da própria dor, não ajudando ninguém.
Aí aparece Satomi, a última gueixa de Fukushima, que escolheu voltar sozinha para sua casa velha dentro da zona radioativa. Duas mulheres presas ao passado, que precisam aprender a deixar a culpa para trás.
Estreia e legado do filme
Fukushima, Mon Amour (título original: Grüße aus Fukushima) chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição limitada. É um filme pequeno, mas com presença marcante em mostras internacionais de cinema europeu e asiático.
A diretora Doris Dörrie é conhecida por comédias alemãs como Homens e Cherry Blossoms — curiosamente, esta versão nacional de Hanami - Cerejeiras em Flor é a mesma história de outro filme citado nos relacionados. Aqui ela troca a leveza pelo silêncio e pelo peso do trauma coletivo.
Na Alemanha, o longa rendeu à Kaori Momoi o prêmio de melhor atriz no Bayerischer Filmpreis de 2016, reforçando a força do elenco oriental em produções europeias. É um daqueles filmes que cresce no boca a boca e ganha admiradores fiéis entre quem busca drama de caráter.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Rosalie Thomass e Kaori Momoi. As duas vivem o filme inteiro em olhares, silêncios e pequenos gestos, sem nunca apelar para o dramalhão fácil.
A cinematografia também merece destaque. As cenas dentro da zona radioativa têm uma beleza estranha, quase onírica, que mistura废墟 e flores de cerejeira.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera um filme sobre o desastre nuclear com tensão ou explicações técnicas vai se frustrar. Aqui a catástrofe é pano de fundo, não motor de ação.
Também não espere um tratamento didático sobre Fukushima. O longa assume que o espectador já entende o contexto e prefere focar nas feridas emocionais das personagens.
Curiosidades de bastidores
- O título alternativo Grüße aus Fukushima faz trocadilho com cartões postais alemães dos anos 1950, evocando nostalgia por um Japão idealizado que já não existe.
- Grande parte das cenas foi filmada em locações reais próximas à zona de exclusão, com equipe reduzida para respeitar os protocolos de radioproteção.
- A atriz Kaori Momoi aprendeu a falar japonês com sotaque da região de Tohoku para dar mais autenticidade à personagem.
Perguntas frequentes
Fukushima, Mon Amour é baseado em fatos reais?
Não é uma cinebiografia. A história é ficção, mas foi inspirada em relatos reais de voluntários que atuaram em Fukushima após o acidente de 2011.
O filme explica o desastre nuclear de Fukushima?
Não. O longa parte do princípio de que o espectador já conhece o contexto. O foco é o drama humano, não a cronologia do acidente.
Tem cena pós-créditos em Fukushima, Mon Amour?
Não. O longa termina antes dos créditos e não há nenhuma surpresa extra depois. Quem sair antes do final perde o desfecho da relação entre Marie e Satomi.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama humanista europeu, no estilo de Hanami - Cerejeiras em Flor e Anonyma - Uma Mulher em Berlim.
- Interessados em estudos sobre o Japão contemporâneo e o impacto cultural do desastre de 2011, também visto em obras como A Vigilante do Amanhã - Ghost in the Shell.
- Quem aprecia cinema de personagem, com atrizes veteranas como Kaori Momoi e a sensibilidade sutil da diretora Doris Dörrie.
Título original: GRÜSSE AUS FUKUSHIMA
País de origem: ALEMANHA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Doris Dörrie
Principais atores: