Veja o trailer do filme Filho de Saul
Filho de Saul
Sobre o que é Filho de Saul
Outubro de 1944. Em Auschwitz-Birkenau, Saul é um prisioneiro judeu obrigado a trabalhar nos crematórios como parte do Sonderkommando — o grupo forçado a operar a maquinaria de extermínio nazista.
No meio de um massacre rotineiro, ele encontra o corpo de um garoto que acredita ser seu filho. A partir desse instante, o filme inteiro gira em torno de uma missão quase impossível: tirar o cadáver das câmaras de gás, esconder dos oficiais e arranjar um rabino para rezar o Kaddish.
É um drama que dispensa a grandiosidade épica e prefere sufocar o espectador com a rotina do horror.
Linha do tempo e legado
Filho de Saul estreou em 2015 e ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes daquele ano, ao lado de Chronic, de Michel Franco.
Em 2016, o longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, representando a Hungria. Chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição da Sony Pictures.
Hoje, é citado como referência obrigatória em qualquer lista séria sobre o Holocausto no cinema. Ao lado de filmes como Corra, Menino, Corra e clássicos europeus do pós-guerra, ajudou a redefinir como a indústria audiovisual aborda o tema sem cair em melodrama.
Manteve-se em alta nos streamings e em retrospectivas de cinema de arte, sendo constantemente revisitado em debates sobre representação e ética em filmes de guerra.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de fotografia de Mátyás Erdély, mantida em plano-sequência com foco raso, força o espectador a ver o horror apenas pelo canto do enquadramento. É um dos movimentos de câmera mais inteligentes do cinema dos anos 2010.
A atuação contida de Géza Röhrig também merece destaque: ele sustenta o filme quase inteiro com um rosto fechado, surrado, sem nunca cair em pieguice.
Ponto fraco: o ritmo é intencionalmente lento e opressivo. Quem espera um filme tradicional de guerra vai se frustrar com a ausência de reviravoltas, explicações didáticas e contextualização histórica ampla.
Também não é obra para quem busca respostas fáceis sobre redenção. Saul é um homem comum preso em uma máquina incomum, e o filme se recusa a julgá-lo com moralina barata.
Curiosidades
- Foi a primeira estreia mundial de László Nemes como diretor de longas. Antes, ele havia trabalhado como assistente de Béla Tarr, referência obrigatória do cinema húngaro lento.
- A escolha de manter a câmera em plano-sequência e foco raso foi pensada para evitar a espetacularização do horror, impedindo o espectador de olhar diretamente para as câmaras de gás.
- A produção investiu em som ambiente gravado em locais reais de extermínio, o que contribuiu para o clima de sufocamento sensorial da obra.
Perguntas frequentes
Filho de Saul é baseado em fatos reais?
A história é ficcional, mas o contexto histórico é real. Os Sonderkommandos realmente existiram e organizaram rebeliões em Auschwitz, incluindo a de outubro de 1944, que serve de pano de fundo ao filme.
Qual a classificação etária e por que é tão restrito?
A classificação é 16 anos. O longa contém violência implícita extrema, suicídio em cena e suicídio sugerido, além de temática pesada envolvendo extermínio em massa.
Filho de Saul tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina antes dos créditos finais, com um corte seco que reforça o impacto emocional. Não há cenas extras nem teasers.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte europeu, especialmente obras exibidas no circuito de festivais como Cannes, Berlim e Veneza.
- Leitores de historiografia do Holocausto, como os livros de Primo Levi e Hannah Arendt, interessados em representações mais densas do que as usuais.
- Quem curte experimentos formais, plano-sequência, som diegético e narrativas com foco narrativo restrito, como os trabalhos de Roberto Minervini e Gus Van Sant em某些 cenas.
Título original: Saul Fia
País de origem: HUNGRIA
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Sony Pictures
Diretor: László Nemes
Principais atores: