FICI 2016 - Jack e a mecânica do coração
O que é FICI 2016 - Jack e a mecânica do coração
Jack nasce no dia mais frio já registrado na Escócia do século XIX, e seu coração congela junto com a neve. Uma parteira excêntrica chamada Madeleine improvisa um transplante e coloca no peito do menino um mecanismo de relógio que mantém o sangue correndo. Funciona, mas tem lá suas limitações.
O menino cresce meio frágil, meio curioso, e só sai de casa no aniversário de dez anos. A partir daí, descobre o mundo, enfrenta bullies, ouve rock e esbarra com a cantora Acácia, por quem se apaixona de um jeito que ameaça a engrenagem toda.
Baseado no álbum-concept da banda francesa Dionysos e no livro do vocalista Mathias Malzieu, que também dirige o filme ao lado de Stéphane Berla, o longa é uma mistura rara de animação europeia, musical e conto de fadas sombrio. Para quem curte a sensibilidade de Persepolis e a estética de O Estranho Mundo de Jack, vale o confronto.
Estreia e legado
O longa estreou na França em 2014, mas chegou ao circuito de festivais e mostras alternativas no Brasil em 2016, justamente pelo FICI (Festival Internacional de Cinema Infantil). Desde então, virou cult entre fãs de animação adulta e música indie europeia.
Conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Animação de Annecy em 2014, na categoria de longas. É lembrado pela estética artesanal que mistura stop motion, cenários em 3D e figurinos steampunk, e pela trilha sonora do próprio Malzieu, que reaproveita temas do disco La Mécanique du Cœur.
Hoje, é citado como uma das animações europeias mais autorais dos anos 2010, com revivals constantes em mostras e relançamentos em streaming.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o visual é o grande trunfo. A Escócia imaginária parece recortada de um livro pop-up ilustrado por Edward Gorey, com cores dessaturadas e detalhes mecânicos no centro de cada quadro. A trilha sonora dos Dionysos costurando a narrativa dá identidade e impede que a história vire preciosismo vazio.
Ponto fraco: o segundo ato se perde. Jack vira adulto rápido demais, os coadjuvantes somem do nada e o vilão de turno aparece do nada também. O ritmo oscila entre contemplativo e arrastado, o que pode frustrar quem espera um musical de aventura.
Curiosidades
- O filme nasceu de um álbum da banda francesa Dionysos lançado em 2007, escrito pelo próprio Mathias Malzieu depois de uma separação difícil.
- Mathias Malzieu dirige o longa, escreve o roteiro, compõe as músicas e dubla o Jack adulto ao mesmo tempo.
- A produção levou cinco anos para ficar pronta, com técnicas mistas que misturam stop motion, CGI e cenários em miniatura filmados quadro a quadro.
Perguntas frequentes
FICI 2016 - Jack e a mecânica do coração é baseado em livro?
Sim. Nasce do romance La Mécanique du Cœur, escrito pelo próprio diretor Mathias Malzieu, publicado em 2007, e que acompanha o álbum homônimo da banda Dionysos.
Qual é a classificação indicativa do filme?
Classificação 10 anos, mas o tom melancólico, as referências sombrias e o ritmo lento fazem com que funcione melhor para adolescentes e adultos.
Tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos. O filme termina com a resolução direta do drama, em uma sequência musical que fecha o arco de Jack sem teasers para continuação.
Pra quem é este filme:
- Fãs de animação europeia autoral, tipo Persepolis e A Noiva Cadáver, que buscam obras adultas disfarçadas de conto infantil.
- Quem gosta de cinema musical sem ser no formato hollywoodiano, com bandas alternativas construindo a narrativa.
- Leitores de graphic novels e livros ilustrados com pegada steampunk, fantasia sombria e humor ácido.