Ex-machina – Instinto artificial
O que esperar de Ex Machina: Instinto Artificial
Caleb é um programador da Blue Book, uma gigante de buscas que lembra (muito) o Google. Ele ganha um concurso interno e recebe um prêmio curioso: uma semana na mansão do recluso presidente da empresa, Nathan Bateman.
No local, Caleb descobre que foi escolhido para algo maior: avaliar Ava, uma robô com inteligência artificial dotada de um corpo mecânico coberto por pele sintética. O que começa como uma série de sessões controladas vira um jogo de manipulação com reviravoltas bem calculadas.
Dirigido por Alex Garland em sua estreia solo na direção, o filme usa poucos cenários e apenas três atores humanos em cena para construir uma tensão que cresce em câmera fechada. É um drama de ficção científica cerebral, econômico, que aposta mais no diálogo e na ambiguidade do que em explosões.
Estreia e legado
Ex Machina chegou ao circuito brasileiro em 16 de março de 2017, em cópias legendadas e dubladas. Lançado originalmente em 2014 no Reino Unido, o longa marcou a transição de Alex Garland, antes roteirista de 28 Dias Depois e Sunshine, para a direção solo.
O reconhecimento internacional veio rápido: o filme levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2016, derrotando blockbusters como Mad Max: Estrada da Fúria e O Martelo de Thor: Ragnarok. Também foi indicado a Roteiro Original, perdeu para Spotlight, mas cravou o nome de Garland como uma das vozes mais autorais da ficção científica contemporânea.
Hoje, Ex Machina é citado em listas sobre inteligência artificial sempre que o tema volta ao debate público, de chatbots generativos a dilemas éticos sobre criação de IAs. Ficou na história também por ser um dos raros filmes de baixo orçamento a ganhar o Oscar técnico, comprovando que conceito bem executado vence megaproduções com verba dez vezes maior.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro. Garland conduz o espectador pelo labirinto do Teste de Turing sem entregar respostas fáceis. Você sai do cinema discutindo quem é o verdadeiro manipulador da história, e isso não acontece com frequência.
Os efeitos visuais de Andrew Whitehurst também impressionam, especialmente a construção física de Ava com rosto e mãos em silicone animadas digitalmente. É trabalho artesanal disfarçado de futurismo, e o Oscar foi merecido.
Ponto fraco: o ritmo. Quem procura ação, explosões ou adrenalina vai achar Ex Machina lento demais. O filme aposta em tensão psicológica e pausas longas, e essas pausas não funcionam bem em sessões noturnas cansativas ou para quem não está acostumado com cinema de ideias.
Curiosidades dos bastidores
- A pele de Ava foi feita com silicone translúcido impresso em 3D, mapeada digitalmente para reagir à luz como carne humana real, detalhe que pesou no Oscar de Efeitos Visuais.
- Sonoya Mizuno (Kyoko) e Corey Johnson (Jay) completam o trio de atores humanos, o que torna a sala do laboratório o set mais populoso do longa.
- Alex Garland escreveu o roteiro durante as filmagens de 28 Dias Depois, deixando a ideia engavetada por quase uma década antes de dirigir.
Perguntas frequentes
Ex Machina tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma cena final fechada e os créditos sobem imediatamente em seguida, sem extras ou teasers.
Ex Machina é terror ou ficção científica?
É classificado oficialmente como drama e ficção científica, mas tem momentos de tensão que beiram o terror psicológico, especialmente nas interações entre Caleb, Nathan e Ava.
Preciso assistir em ordem com outros filmes de Alex Garland?
Não. Ex Machina funciona sozinho e é, na verdade, o melhor ponto de entrada no cinema de Garland antes de partir para Aniquilação e Tempo de Guerra.
Pra quem é este filme:
- Fãs de ficção científica reflexiva no estilo Blade Runner, 2001: Uma Odisseia no Espaço e Her
- Interessados em tecnologia, inteligência artificial, ética digital e filosofia da mente
- Quem acompanha o cinema do diretor Alex Garland e quer entender sua evolução até Aniquilação e Men: Faces do Medo
Título original: Ex-machina – Instinto artificial
País de origem: Reino Unido
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Alex Garland