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Eu, Daniel Blake

Eu, Daniel Blake

12 Drama Duração: 1h 39min

Um carpinteiro, um infarto e uma fila que não anda

Daniel Blake é um carpinteiro de Newcastle que sobrevive a um ataque cardíaco e recebe dos médicos uma orientação clara: não volte ao trabalho. O Estado, por outro lado, decide que ele pode. A partir daí, ele entra em um labirinto de formulários, telefonemas e decisões automatizadas para provar que está inapto, e cada tentativa termina com um novo "aguarde o retorno".

O drama dirigido por Ken Loach coloca o dedo na ferida de um sistema que se modernizou no papel e ficou ainda mais impenetrável para quem não nasceu conectado. Daniel tem 59 anos, não usa computador e responde a menus de voz que travam antes de chegar a um humano.

É nesse percurso que ele encontra Katie (Hayley Squires), uma mãe solo de duas crianças recém-chegada à cidade, sem rede de apoio, sem comida no armário e com a mesma sensação de estar sendo empurrada para fora de qualquer política pública. O vínculo entre os dois nasce da raiva compartilhada — e também de uma ternura discreta, sem romance gratuito, sem floreios.

Estreia, polêmicas e a Palma de Ouro

Eu, Daniel Blake chegou ao circuito de festivais em maio de 2016, na disputa pela Palma de Ouro em Cannes. Venceu. Foi a segunda Palma de Loach em Cannes, após O Vento que Agita a Cevada (2006), e chegou ao circuito brasileiro em março de 2017, distribuído pela Imovision.

O impacto do filme ultrapassou a crítica. Em 2017, parlamentares britânicos chegaram a citar o personagem Daniel Blake em debates sobre reforma do sistema de benefícios no Reino Unido, e Loach usou o discurso de agradecimento em Cannes para atacar o que chamou de "Tory Britain".

O longa levou também o BAFTA de melhor filme britânico, melhor roteiro original e melhor ator para Dave Johns, que entrou no cinema quase por acidente, depois de ter sido comediante de stand-up. Foi indicado ainda ao Oscar de melhor filme estrangeiro e hoje é citado como uma das peças mais incômodas do cinema social europeu dos anos 2010, ao lado de Ventos da Liberdade.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Ken Loach se recusa a estetizar a miséria. Os planos são secos, a câmera fica perto, os atores não amaciantes, e a cena em que Katie desmorona num banheiro público virou referência de como filmar vergonha sem manipulá-la.

Ponto fraco: é um filme propositalmente lento e repetitivo. Quem busca ritmo, reviravoltas ou catarse rápida pode achar 99 minutos longos demais, e o roteiro sacrifica sutileza em alguns diálogos para deixar a denúncia bem mastigada.

Curiosidades de bastidores

  • O roteiro passou por uma rodada de testes com usuários reais do sistema de benefícios britânico antes da gravação, o que ajustou falas e trâmites burocráticos para ficarem ainda mais fiéis à realidade.
  • Dave Johns foi escalado depois de Ken Loach assistir a um show de comédia em Newcastle e perceber que o jeito do humorista combinava com o Daniel que ele imaginava.
  • A cena em que Katie é vista vasculhando comida no chão de um banheiro público foi inspirada em relatos coletados por assistentes sociais durante a pesquisa de campo do longa.

Perguntas frequentes

Eu, Daniel Blake é baseado em fatos reais?

Não é uma biografia, mas o roteiro foi construído a partir de pesquisas com pessoas que dependiam do sistema de benefícios do Reino Unido. Os casos específicos são fictícios, mas os problemas que Daniel enfrenta são recorrentes na vida real.

Quem gostou desse filme, o que assistir depois?

O caminho natural passa por outras obras de Loach, como Pão e Rosas e Ladybird, Ladybird. Ventos da Liberdade e A Noite da Realeza também dialogam com o tema da classe trabalhadora em crise.

Eu, Daniel Blake está disponível em streaming no Brasil?

Catálogos de streaming giram bastante. Vale checar a grade atualizada logo abaixo, na seção de programação, para ver em qual plataforma o filme está disponível no momento.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de drama social europeu e do cinema de Ken Loach, que já conhecem Ladybird, Ladybird ou Pão e Rosas.
  • Pessoas interessadas em políticas públicas, desigualdade e funcionamento real de sistemas de proteção social.
  • Leitores de não-ficção investigativa sobre o sistema de bem-estar social britânico e o impacto do austerity no cotidiano das classes trabalhadoras.

Título original: I, Daniel Blake

País de origem: Reino Unido / França

Data do lançamento: 16/03/2017

Distribuidora: Imovision

Diretor: Ken Loach

Principais atores: