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Ela é o Diabo
O filme
Ruth é uma dona de casa apagada que leva uma vida comum ao lado do marido Bob e dos dois filhos. Em um jantar elegante, ela acidentalmente derrama vinho no vestido da escritora Mary Fisher, e a partir desse incidente Bob se encanta pela autora de romances baratos.
Bob abandona Ruth para se mudar para o casarão à beira-mar de Mary, em uma clássica fuga cinematográfica. A resposta de Ruth não é choro nem terapia: é uma vingança metódica, com direito a alianças improváveis e um olhar que faria qualquer ex-marido repensar as escolhas de vida.
Dirigido por Susan Seidelman, o longa é uma comédia ácida sobre mulher descartada que resolve virar o jogo com as próprias mãos.
Estreia e legado
Ela é o Diabo chegou aos cinemas em 1989, vindo logo depois do sucesso de Smithereens (1982) e Desperately Seeking Susan (1985), que colocaram Susan Seidelman no mapa do cinema independente nova-iorquino.
O filme não emplacou nas bilheterias e foi massacrado pela crítica na época, mas ganhou status de cult com o passar dos anos, especialmente entre fãs de Meryl Streep dispostos a vê-la sair do casaco dramático.
Hoje é lembrado como um registro raro de Roseanne Barr no cinema e como uma das comédias de vingança feminina mais desbocadas dos anos 80, citada como referência em discussões sobre raiva feminina na cultura pop.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Meryl Streep como a brejeira Mary Fisher é impagável. A atriz claramente se diverte carregando no glamour cafona e no riso teatral, em um papel bem distante de seus dramas habituais.
Ponto alto: O elenco de apoio liderado por Linda Hunt e Sylvia Miles dá ao time de Ruth um tom de irmandade desajustada que eleva as cenas de planejamento.
Ponto fraco: O roteiro escorrega em soluções de conveniência e o humor é muito datado, com piadas que dependem do contexto dos anos 80 para funcionar.
Ponto fraco: O terceiro ato perde ritmo, repetindo o mesmo tipo de golpe contra Bob sem escalada dramática suficiente.
Curiosidades
- O roteiro é baseado no livro The Life and Loves of a She-Devil, de Fay Weldon, de 1983, adaptado com liberdade pela própria autora para o cinema.
- Meryl Streep teria usado um aparelho dentário propositalmente para afinar a voz de Mary, o que segundo a produção irritava a equipe técnica a cada takes.
- Antes de Roseanne Barr, o papel de Ruth chegou a ser oferecido a outras atrizes, mas o estúdio acabou apostando na força da comediante de TV para atrair o público que acompanhava seu seriado.
Perguntas frequentes
Ela é o Diabo é baseado em livro?
Sim. O filme é uma adaptação do romance The Life and Loves of a She-Devil (1983), da escritora britânica Fay Weldon, que também assinou o roteiro.
Meryl Streep faz comédia em Ela é o Diabo?
Faz, e com vontade. É um dos raros papéis cômicos de maior expressão da carreira dela, bem distante de dramas densos como os de As Horas.
Ela é o Diabo tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma conclusiva, sem extras após os créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Meryl Streep querendo ver a atriz em modo cômico e debochado, bem longe de dramas como As Horas.
- Quem curte comédias de vingança com protagonista feminina sem filtro, no espírito de obras como Caça-fantasmas.
- Interessados em cinema dos anos 80 e na filmografia de Susan Seidelman, peça-chave do cinema independente daquela década.