O filme
Jantar com o noivo, conversa alheia demais e uma curiosidade que muda a noite. É assim que começa É um Caso de Polícia, filme que mistura comédia, aventura e policial com ar de thriller leve.
A protagonista é uma jovem fissurada por histórias de crime. Numa noite qualquer, no restaurante, ela flagra dois sujeitos planejando um assassinato em voz alta e resolve segui-los pelas ruas do Rio de Janeiro. A partir daí, o roteiro de Dias Gomes transforma uma noite de sábado em jogo de gato e rato ambientado em Ipanema, Leblon, Gávea, São Conrado e Laranjeiras, com direito à mansão do então prefeito Pereira Passos como cenário.
O longa é o único trabalho de direção de Carla Civelli, figurinista respeitada que aqui se arrisca atrás das câmeras. Também marca a estreia no cinema de uma atriz que viraria estrela: Glauce Rocha.
Estreia e legado
Produzido em 1959, o filme só ganhou distribuição comercial no Brasil em março de 2017, quando foi relançado em versão restaurada como parte de um resgate do cinema nacional clássico. O porte é de festival: cópia restaurada, exibições pontuais em salas e mostras, perfil de obra de catálogo.
Mais do que um thriller, é um documento. Mostra o Rio de Janeiro pré-Bossa Nova e a Rocinha ainda coberta por mata, antes de virar a comunidade que conhecemos hoje. Para quem estuda o audiovisual brasileiro dos anos 1950, o filme é peça-chave.
A entrada de Glauce Rocha na tela grande aqui tem valor histórico. Quem conhece a parceria dela com Terra em Transe encontra a atriz ainda em formação, mas já com a presença de câmera que a consagraria.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as locações reais do Rio antigo e a atmosfera documental. A Rocinha pré-ocupação, as ruas de Ipanema, a mansão do Pereira Passos funcionam como um banco de imagens raro, e Glauce Rocha já surge com magnetismo.
Ponto fraco: o ritmo é arrastado para o padrão atual. A oscilação entre suspense e humor ingênuo tira tensão da caçada, e quem busca um thriller mais本格 pode sair frustrado.
É um filme para ver com expectativa calibrada: relíquia histórica antes de entertainment moderno. Quem curte cinema brasileiro de autor, vai gostar. Quem quer só adrenalina, provavelmente não.
Curiosidades
- O roteiro é assinado por Dias Gomes, dramaturgo e novelista que viraria um dos maiores nomes da TV brasileira com Roque Santeiro e O Bem-Amado.
- O longa é o único trabalho de direção de Carla Civelli, figurinista com carreira sólida que aqui experimenta a linguagem cinematográfica.
- As cenas da Rocinha mostram o morro coberto por mata, sem a comunidade que ocupa a região hoje — um registro visual raro e involuntário.
Perguntas frequentes
É um Caso de Polícia é de que ano?
O filme foi produzido em 1959, com roteiro de Dias Gomes e direção de Carla Civelli. A distribuição comercial no Brasil só aconteceu em 2017, em versão restaurada.
Quem dirige É um Caso de Polícia?
A direção é de Carla Civelli, em seu único longa-metragem. O roteiro é de Dias Gomes.
É um Caso de Polícia tem cena pós-créditos?
Não. O filme é uma produção dos anos 1950, anterior à tradição de cenas pós-créditos. A narrativa se encerra junto com a sessão.
Pra quem é este filme:
- Apaixonados por cinema brasileiro clássico e pelos anos 1950 no Rio de Janeiro, que buscam obras raras e restauradas para conhecer a história do audiovisual nacional.
- Fãs de Dias Gomes, Glauce Rocha e Glauber Rocha que querem mapear as raízes do Cinema Novo e da dramaturgia engajada.
- Pesquisadores e estudantes de história urbana do Rio interessados em imagens raras de Ipanema, Leblon e da Rocinha antes da urbanização.
Título original: É um caso de polícia
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Carla Civelli
Principais atores: