Doce Amianto
O Filme
Doce Amianto é um híbrido raro: ao mesmo tempo documentário e ficção, o filme constrói um universo onírico habitado por uma personagem que prefere sonhar a encarar a realidade.
No centro da história está Amianto, vivida por Deynne Augusto, uma jovem que se refugia em delírios de esperança depois de sentir-se abandonada pelo Rapaz.
A melancolia e a ingenuidade dividem o mesmo espaço nesse mundo interior, onde a amiga morta Blanche age como uma espécie de escudo emocional.
A Guto Parente e Uirá dos Reis assinam a direção, conduzindo a câmera por uma narrativa que transita entre o real e o inventado sem pedir licença ao espectador.
Estreia e Legado
Doce Amianto chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, consolidando a fase mais autoral do cinema cearense daquela década.
O longa dialoga diretamente com outras obras experimentais vindas do Ceará, como Com Os Punhos Cerrados e Estrada para Ythaca, reforçando uma linhagem de cinema que mistura fabulação e paisagem local.
Mesmo com distribuição limitada, o título circula com frequência em mostras universitárias e retrospectivas de cinema brasileiro contemporâneo, sendo lembrado como um dos experimentos mais delicados do período.
Para quem acompanha a evolução do cinema de gênero no Brasil, Doce Amianto é citado como um elo entre a herança de Bacurau e experiências mais sensoriais como Medo do Escuro.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: a construção visual do mundo de Amianto lembra um conto de fadas distorcido, com uma paleta de cores e uma direção de arte que sustentam o tom poético da narrativa.
As atuações são entregues com verdade, especialmente Deynne Augusto, que conduz a jornada emocional sem nunca cair no caricato.
Ponto fraco: quem busca uma trama linear pode sair frustrado. O roteiro é fragmentado por opção e exige entrega do espectador.
A duração curta (70 minutos) é uma virtude e também um limite: algumas ideias ficam apenas sugeridas.
Curiosidades
- O filme é fruto da parceria criativa entre Guto Parente e Uirá dos Reis, que também atua no elenco em uma participação simbólica.
- A obra foi realizada com equipe majoritariamente cearense, reforçando o circuito de produção independente de Fortaleza.
- A personagem Fada Madrinha, citada na sinopse, foi construída como um contraponto cômico dentro do universo melancólico do filme.
Perguntas Frequentes
Doce Amianto é documentário ou ficção?
É um híbrido. O filme mistura elementos de documentário e ficção experimental, com encenação mas também com improvisos e captações que beiram o real.
Qual a duração de Doce Amianto?
São 70 minutos, uma duração curta que cabe em uma sessão de cinema da tarde, ideal para quem quer conhecer o cinema autoral cearense sem comprometer a noite.
Doce Amianto tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma contemplativa, sem cenas extras após os créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema autoral brasileiro que valorizam narrativas não lineares e experimentação sensorial.
- Espectadores que acompanham a produção cearense contemporânea, incluindo obras como Bacurau e Com Os Punhos Cerrados.
- Leitores de contos de fadas modernos e espectadores que curtem a fronteira entre fantasia e realidade no cinema.