Dias de fogo
O filme
John Cassellis é cameraman de televisão em Chicago. No começo, ele trata a câmera como uma arma: sai atrás de cenas de crime, de políticos corruptos, de acidentes em fábricas, e a lente não passa de um instrumento de trabalho, quase clínico.
A ficha vira quando ele cruza com Eileen Horton, uma professora viúva com o filho pequeno, e com os movimentos de rua que se organizam contra a Guerra do Vietnã. John começa a entender que filmar também é escolher um lado, e que existe uma diferença brutal entre estar presente e simplesmente assistir.
Dirigido por Haskell Wexler, Medium Cool mistura atores profissionais com ativistas, policiais e jornalistas reais. O resultado é um filme que não parece feito em estúdio, mas arrancado da calçada.
Estreia e legado
Lançado nos Estados Unidos em 1969, o longa entrou em cartaz no Brasil em 2017, aproveitando o interesse renovado pelo cinema político americano dos anos 60 e 70.
Logo na estreia internacional, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, o que ajudou a consolidar a reputação de Haskell Wexler como um dos grandes diretores de fotografia a migrar com sucesso para a direção.
Cinquenta anos depois, Dias de Fogo continua citado em discussões sobre ética jornalística, manipulação de imagens e o poder (ou a covardia) das câmeras diante de protestos. É um dos pilares do chamado New Hollywood e influência direta de cineastas como Martin Scorsese e Michael Mann.
Hoje, é um título cult na Criterion, em mostras de cinema e em qualquer roda de cinéfilo que goste de comparar a representação da violência política na tela com a realidade fora dela.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a mistura de ficção com material documental real, incluindo registros da Convenção Democrata de Chicago em 1968, cria uma sensação de urgência rara no cinema. A fotografia de Wexler é precisa e incômoda, com closes que transformam a câmera em personagem.
Ponto alto: a trilha sonora.pop e a montagem fragmentada dialogam com o jornalismo da época e envelheceram bem, sem soar datada.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento e a história pessoal de John com Eileen pode parecer dispersa para quem espera um drama convencional. O filme pede paciência.
Ponto fraco: quem busca um retrato de época mais palatável vai preferir obras como Os Descendentes ou Cidade dos Sonhos, com estrutura narrativa mais clássica.
Curiosidades
- O próprio Haskell Wexler foi um dos maiores diretores de fotografia de Hollywood, vencedor de dois Oscars por Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e Bound for Glory, antes de assumir a direção de Medium Cool.
- As cenas da Convenção Democrata de 1968 foram captadas com câmera escondida, e os bastidores viraram alvo de processos e debates sobre os limites entre documentário e ficção.
- Robert Forster declarou várias vezes que o papel de John Cassellis mudou a forma como ele enxergava a profissão de ator e a relação com a imprensa.
Perguntas frequentes
Dias de Fogo é baseado em fatos reais?
Não é uma reconstituição biográfica, mas mistura roteiro de ficção com filmagens reais de protestos, convenções políticas e cenas de rua em Chicago, especialmente durante 1968.
Dias de Fogo vale a pena?
Vale para quem curte cinema autoral e político. Quem prefere narrativas mais lineares pode achar o ritmo lento e o experimentalismo visual cansativos.
Dias de Fogo tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma abrupta, coerente com a proposta de não oferecer resoluções fáceis nem ganchos comerciais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema político que curtem obras ambientadas nos anos 60 e 70, como Invasão a Londres e Mulholland Drive: Cidade dos Sonhos.
- Apaixonados pela estética documental que gostariam de ter vivido o New Hollywood em tempo real.
- Estudantes e curiosos sobre ética na mídia, manipulação de imagem e cobertura de protestos.
Título original: Medium Cool
País de origem: EUA
Data do lançamento: 03/10/2017
Diretor: Haskell Wexler
Principais atores: