Veja o trailer do filme Corrente do Mal
O que é Corrente do Mal
Jay tem dezenove anos e curte o outono no subúrbio de Detroit com a irmã e os amigos de escola. Tudo muda depois da primeira noite com Hugh, o novo namorado.
Ele a amarra numa cadeira e explica, com calma absurda, que ela acabou de herdar algo. Uma entidade agora anda atrás dela, em qualquer velocidade, em qualquer forma. Se a alcançar, morre. Se Jay morrer, a coisa pula para outra pessoa.
A regra é simples, mas a execução do terror é genial: David Robert Mitchell transforma a maldição sexual adolescente em um pesadelo suburbano cheio de subúrbios vazios, piscinas abandonadas e varandas ensolaradas. Nada ali parece ameaçador, e é exatamente isso que assusta.
Quando estreou e por que ainda importa
Corrente do Mal chegou aos cinemas brasileiros em 2014, depois de circular pelo Festival de Cannes de 2014, na Semana da Crítica, onde a crítica europeia tratou o filme como o grande susto indie do ano.
De lá pra cá, virou referência obrigatória do terror moderno, citado em listas ao lado de O homem nas trevas e relançado em cópias restauradas para quem quer entender a renovação do gênero.
O resultado prático: Maika Monroe virou a nova scream queen da sua geração e Hollywood passou a copiar a fórmula de Mitchell — maldição sexual, adolescentes deslocados e vilões que andam devagar, mas nunca param.
Vale o ingresso?
O ponto alto é a tensão constante. Mitchell usa a câmera de John Carpenter e trilha de Disasterpeace para transformar o subúrbio americano em território hostil. Você nunca sabe quem é a criatura. Não há jump scares baratos, só a certeza clínica de que algo está vindo.
O ponto fraco é o segundo ato. O roteiro gasta energia demais explicando a regra e pouco em aprofundar os personagens secundários, especialmente os amigos de Jay. Algumas soluções plot-holes incomodam quem pensa demais.
No fim, é terror adulto sobre solidão, sexo e inevitabilidade. Funciona melhor como experiência sensorial do que como quebra-cabeça lógico.
Curiosidades de bastidor
- A ideia nasceu de um pesadelo recorrente do diretor David Robert Mitchell quando ele era adolescente nos subúrbios de Michigan.
- A trilha sonora foi composta por Rich Vreeland, o Disasterpeace, usando sintetizadores analógicos que evocam John Carpenter e Tangerine Dream.
- A criatura é sempre interpretada por pessoas comuns — amigos da equipe, figurantes sem formação de ator — para tirar qualquer glamour do monstro.
Perguntas frequentes
Corrente do Mal tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma seca, com um último plano perturbador que dispensa cenas extras.
Corrente do Mal é terror sobrenatural ou sci-fi?
Os dois. Mitchell nunca explica se a entidade é demônio, vírus ou entidade extradimensional — o que reforça a leitura como ficção de horror.
Corrente do Mal tem continuação?
Não oficialmente. Mitchell recusou sequências e mantém a história fechada, apesar do final deixar brechas propositais para interpretações.
Pra quem é este filme:
- Fãs de terror de atmosfera que odeiam jump scares vazios e preferem o medo que mora na sugestão.
- Quem curte ficção científica disfarçada de horror, tipo O homem nas trevas, com regras próprias e metáfora social no fundo.
- Cinéfilos obcecados pela filmografia de Carpenter, Spielberg e pelos subúrbios sinistro do cinema americano dos anos 80.
Título original: It Follows
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/2013
Distribuidora: California Filmes
Diretor: David Robert Mitchell
Principais atores: