O que esperar do filme
Reno, 1959. Vivian Bell chega ao deserto de Nevada com uma missão burocrática: finalizar o divórcio. O que ela não esperava era cruzar com Cay, uma jovem que trabalha em um cassino e vive de forma oposta à sua reserva.
Baseado no romance Desert of the Heart, de Jane Rule, Corações Desertos é o primeiro longa de Donna Deitch. O filme constrói a sedução sem pressa, apostando em closes longos, diálogos esparsos e na vastidão do cenário para traduzir o que as personagens ainda não dizem.
O resultado é um drama sensorial, mais interessado em clima do que em plot twists. É um daqueles filmes que respira junto com quem assiste.
Quando estreou e por que ainda importa
Lançado em 1985, Corações Desertos foi um dos primeiros longas-metragens norte-americanos a retratar um romance lésbico sem viés de exploração ou tom de tragicidade.
O filme circulou inicialmente em mostras e festivais, ganhou distribuição limitada nos EUA e só com o tempo virou referência obrigatória do cinema queer. Entrou para o National Film Registry dos Estados Unidos em 2006, um reconhecimento à sua relevância histórica.
No Brasil, ganhou circulação em cineclubes, mostras retrospectivas e mostras LGBT. Em 2025, ganhou sessão pontual em circuito alternativo, aos poucos reconquistando novas gerações.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Helen Shaver e Patricia Charbonneau. As duas sustentam o filme inteiro com olhares, silêncios e uma entrega física que dispensa grandes declarações.
A trilha sonora assinada por Boyd Hale e a fotografia desértica ajudam a criar uma atmosfera quase hipnótica, em que o clima vale mais que o roteiro.
Ponto fraco: o ritmo. Quem busca narrativa ágil pode achar o andamento lento demais em alguns trechos, especialmente na primeira metade, onde a aproximação entre as duas é construída em passos pequenos.
Não espere reviravoltas ou catarse exagerada. É um filme de texturas, não de eventos.
Curiosidades
- O longa foi filmado em Reno e Carson City, na própria Nevada, e a equipe aproveitou a luz natural do deserto para criar a paleta visual dourada da fotografia
- A cena do embrace na chuva, próxima do clímax, foi improvisada em parte no set e virou uma das imagens mais reproduzidas do cinema queer dos anos 1980
- Donna Deitch demorou quase cinco anos para conseguir financiamento, já que estúdios relutavam em bancar um romance lésbico com final feliz
Perguntas frequentes
Corações Desertos é baseado em livro?
Sim. O filme é uma adaptação do romance Desert of the Heart, publicado em 1964 pela escritora canadense Jane Rule.
Corações Desertos tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma resolução clara entre as personagens e não traz cenas extras após os créditos.
É um filme lésbico?
Sim. É considerado um dos primeiros longas norte-americanos a retratar um romance entre mulheres de forma afirmativa, sem punição narrativa, e é referência histórica do cinema LGBT.
Pra quem é este filme:
- Fãs de romance de época com pegada introspectiva e construção lenta de desejo
- Quem acompanha a história do cinema queer e quer conhecer um dos títulos fundadores
- Leitores de livros como Carol, de Patricia Highsmith, e admiradores de dramas sensoriais à maneira de No Vazio da Noite
Título original: Desert Hearts
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/2025
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Cristiano Burlan, Donna Deitch
Principais atores: