Veja o trailer do filme Cópia Fiel
Cópia Fiel
O Filme
James Miller é um escritor inglês que viaja até uma cidadezinha da Toscana para lançar um livro sobre a relação entre original e cópia na arte. Lá, ele conhece Elle, uma francesa que administra uma galeria e cria o filho pré-adolescente sozinha.
Entre cafés, ruas de paralelepípedo e vielas ensolaradas, os dois começam uma conversa que vai escapando do registro acadêmico. O que começa como uma entrevista logo vira algo mais ambíguo: um ensaio ao vivo sobre identidade, memória e a fronteira entre o que vivemos e o que representamos.
Dirigido pelo iraniano Abbas Kiarostami e rodado como uma peça para dois atores, o filme é um drama de câmera próxima, com quase tudo acontecendo dentro de um único dia.
Estreia e Legado
Cópia Fiel teve sua première mundial no Festival de Cannes em 2010, onde Juliette Binoche levou o prêmio de melhor atriz. No Brasil, chegou aos cinemas em 18 de março de 2011, distribuído pela Imovision.
Marcou a primeira incursão de Kiarostami fora do Irã e foi o único longa do diretor com atores majoritariamente ocidentais, o que rendeu críticas divididas: parte da imprensa achou a mudança libertadora, outros sentiram falta do contexto iraniano.
Hoje é lembrado como um dos filmes de diálogo mais inteligentes do começo dos anos 2010, citado em listas de melhor drama romântico-filosófico e em comparações com A Insustentável Leveza do Ser.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: o roteiro escrito pelo próprio Kiarostami transforma uma conversa de bar em uma investigação sobre verdade e representação. Cada réplica funciona em dois níveis ao mesmo tempo, e o longa-metragem cresce quando você revira as frases mentalmente depois da sessão.
Juliette Binoche entrega uma atuação de altíssimo nível, modulando nuances com um domínio de tela raro. O plano-sequência intermediário, em que câmera e atores improvisam dentro de um café lotado, é um dos momentos mais vivos do cinema do começo da década.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca um drama com reviravoltas ou arco sentimental tradicional pode achar a proposta hermética demais. A camada teórica exige atenção: se você dispersar, o filme passa sem fazer barulho.
O final divide. É provocativo, mas alguns espectadores podem sentir que Kiarostami se protege no abstrato em vez de fechar a experiência.
Curiosidades
- O longa foi rodado em locações reais da Toscana com câmera escondida em cafés, e o plano do bar é praticamente um documentário improvisado com transeuntes reais.
- William Shimell é barítono profissional e aceitou o papel após Kiarostami ouvi-lo cantar em um concerto em Paris.
- Kiarostami escreveu o roteiro em francês, o que reforça a sensação de leveza europea e o distancia do tom do cinema iraniano.
Perguntas Frequentes
Cópia Fiel tem cena pós-créditos?
Não. O longa-metramento termina exatamente no corte final, sem cenas extras após os créditos.
Cópia Fiel é baseado em fatos reais?
Não. É uma ficção original de Kiarostami, inspirada em debates sobre autenticidade na arte, mas sem casos reais como base.
Cópia Fiel vale a pena?
Vale, desde que você curta drama lento e reflexivo. É um dos filmes de diálogo mais instigantes dos últimos anos, especialmente para quem se interessa por arte e filosofia.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema contemplativo e drama de duas pessoas em um único cenário
- Leitores de filosofia, crítica de arte e ensaio sobre representação
- Quem gostou de A Insustentável Leveza do Ser e busca romances com camada teórica
Título original: Copie conforme
País de origem: Bélgica
Data do lançamento: 18/03/2011
Distribuidora: Imovision
Diretor: Abbas Kiarostami
Principais atores: