O que é Como Esquecer e por que ele ainda ressoa
Como Esquecer é um drama brasileiro de 2010 que trata do luto afetivo com a mesma seriedade que costuma ser reservada a outros tipos de perda.
Júlia, professora de literatura inglesa interpretada por Ana Paula Arósio, não engoliu o fim de um relacionamento de dez anos com Antônia. Em vez de apelar para grandes reviravoltas, o roteiro prefere o cotidiano: listas de afazeres, mensagens não respondidas e a solidão de um apartamento grande demais.
A solução vem com Hugo (Murilo Rosa), viúvo e mordaz, com quem Júlia divide o novo lar. A convivência entre os dois vira o motor do filme, e a direção de Malu de Martino aposta em planos longos, muita conversa e silêncio entre os diálogos.
Estreia, legado e o lugar do filme hoje
Como Esquecer chegou aos cinemas em 15 de outubro de 2010, em circuito limitado, e rapidamente se tornou referência entre os títulos nacionais que tratam de lesbianidade adulta sem tom panfletário.
O longa circulou em festivais como o Mix Brasil e ganhou visibilidade também no circuito universitário, sendo bastante usado em discussões sobre gênero e失恋. Mesmo quinze anos depois, segue sendo citado em listas de cinema lésbico brasileiro, ao lado de obras como Bem Casados.
Hoje, o filme funciona como uma cápsula de época: a estética sóbria, a trilha com voz e violão e a fotografia em tons frios marcaram uma fase específica do cinema nacional, e o tempo tratou o título com carinho.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Ana Paula Arósio e Murilo Rosa transforma o que poderia virar um dramalhão em algo crível. As cenas do casal dividindo compras, vinho e desabafos soam verdadeiras, e o roteiro encontra humor sem quebrar o tom.
Ponto alto: o roteiro não oferece soluções fáceis para a protagonista. O luto é tratado como processo, e o longa entrega isso com responsabilidade.
Ponto fraco: o ritmo é lento e pode frustrar quem espera conflitos mais explosivos. O segundo ato repete alguns padrões de conversa.
Ponto fraco: a Antônia, que motiva toda a narrativa, aparece pouco em cena, e a ausência pesa mais do que deveria.
Curiosidades dos bastidores
- O roteiro é assinado por Malu de Martino, que também dirige, e foi inspirado em histórias reais de amigas próximas da cineasta.
- Ana Paula Arósio fez a própria preparação vocal para as aulas de inglês que aparecem em cena, incluindo leituras de Sylvia Plath.
- O longa teve sessão de abertura no Mix Brasil Cultura e Arte, principal festival de cinema LGBT do país.
- Muitas locações foram gravadas em apartamentos reais de São Paulo, o que deu o ar doméstico e autêntico que o diretor queria.
- O título brinca com a expressão popular e foi pensado para soar direto nas buscas — inclusive, o filme é frequentemente confundido com Todas as razões para esquecer.
Perguntas frequentes
Como Esquecer é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta de uma história real, mas Malu de Martino confirmou em entrevistas que se inspirou em relatos de amigas que passaram por términos longos.
Como Esquecer tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra antes dos créditos com um corte seco, coerente com o tom contido do longa.
Como Esquercer está disponível em streaming?
O título já passou por catálogos como Looke e HBO, e costuma circular em mostras de cinema lésbico. Verifique a grade atualizada na seção de cinemas e streamings abaixo.
Como Esquecer tem continuação?
Não existe sequência oficial, mas a temática ressoa em filmes como O que seria deste mundo sem paixão? e Love Film Festival.
Qual a classificação etária?
O longa foi classificado como não recomendado para menores de 14 anos por abordar relações homoafetivas adultas e consumo de álcool em contexto de luto.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas intimistas como Somos tão jovens e Um Homem Só, que priorizam personagem a plot twist.
- Leitores de autoficção, diários e romances epistolares, acostumados a narrativas em primeira pessoa e com tom confessional.
- Público que acompanha cinema lésbico brasileiro e quer conhecer títulos além de Talvez uma História de Amor e Todas as razões para esquecer.