Clássicos do Cinema II
Sobre o que é Clássicos do Cinema II
Clássicos do Cinema II é a reexibição especial de Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), obra-prima de Orson Welles que marcou para sempre a linguagem cinematográfica.
O filme acompanha a ascensão e o declínio de Charles Foster Kane, magnata da imprensa que construiu um império de jornal e rádio a partir de uma infância marcada pela separação da família e por uma promessa que ele transformou em obsessão.
A história é conduzida por uma investigação jornalística que tenta desvendar o significado da última palavra dita por Kane antes de morrer: Rosebud.
Entre memória, poder e solidão, o roteiro transita por diferentes pontos de vista, montando o retrato de um homem que tinha tudo, exceto o que importava.
A obra é referência obrigatória para quem estuda ficção no cinema e para qualquer pessoa interessada em entender como a narrativa audiovisual moderna foi moldada.
Estreia e legado
Cidadão Kane foi lançado nos Estados Unidos em 1941, quando Welles tinha apenas 25 anos. Foi a estreia em Hollywood de um jovem que já vinha do teatro e do rádio.
O longa recebeu nove indicações ao Oscar na cerimônia de 1942 e venceu em Melhor Roteiro Original. Perdeu categorias como Melhor Filme, Direção e Ator para John Ford e Como Era Verde o Meu Vale, em uma das decisões mais polêmicas da história do prêmio.
Ao longo das décadas, críticas e listas especializadas passaram a colocá-lo no topo de rankings dos maiores filmes de todos os tempos. O American Film Institute o elegeu o número 1 em sua lista de 100 anos de cinema.
Hoje, Cidadão Kane é estudado em escolas de audiovisual do mundo inteiro como exemplo de narrativa não-linear, composição de quadro e uso da profundidade de campo.
A reexibição na programação Clássicos do Cinema II devolve ao público a chance de ver a obra restaurada na tela grande, como foi pensada para ser vista.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a cinematografia de Gregg Toland continua impressionando. A profundidade de campo, os ângulos baixos com tetos visíveis e os planos-sequência servem de aula até hoje.
A atuação de Orson Kane mistura fragilidade e autoritarismo de um jeito raro, sustentando um personagem complexo sem nunca cair no caricato.
Ponto fraco: o ritmo pode parecer lento para quem não está acostumado com o cinema clássico norte-americano. Algumas subtramas pedem paciência do espectador.
Quem chega esperando explosões e cortes rápidos pode sair frustrado. Quem se entrega à narrativa sai transformado.
Curiosidades dos bastidores
- Orson Welles tinha apenas 25 anos quando dirigiu Cidadão Kane, o que lhe rendeu um contrato sem precedentes de liberdade criativa com a RKO Pictures.
- A palavra final Rosebud só foi revelada na última cena filmada, e poucos membros da equipe sabiam do significado antes da estreia.
- O magnata William Randolph Hearst tentou bloquear a distribuição do filme por se sentir retratado em Kane, e chegou a proibir a publicação de anúncios nos seus jornais.
Perguntas frequentes
Cidadão Kane é realmente o maior filme de todos os tempos?
Está no topo de diversas listas de críticos especializados há mais de 50 anos, incluindo a do American Film Institute. É consenso entre historiadores como um divisor de águas no cinema.
Qual é a história por trás de Rosebud?
Rosebud é o nome de um trenó da infância de Kane, que ele perdeu quando foi separado da família. O significado do brinquedo é revelado apenas na última cena do filme.
Por que Cidadão Kane perdeu o Oscar de Melhor Filme?
Acredita-se que a campanha de William Randolph Hearst contra o longa, somada a polêmicas políticas da época, tenha influenciado os votantes. O prêmio ficou com Como Era Verde o Meu Vale, de John Ford.
Pra quem é este filme:
- Estudantes e profissionais de cinema, audiovisual e roteiro que precisam conhecer a obra que mudou a linguagem da narrativa visual.
- Fãs de cinema clássico norte-americano que já assistiram a filmes de John Ford, Billy Wilder ou Alfred Hitchcock e querem entender a evolução da linguagem.
- Curiosos sobre a história da mídia e do jornalismo, já que o personagem é inspirado em figuras reais como William Randolph Hearst e magnatas da imprensa do início do século XX.
Título original: Cidadão Klein
País de origem: França