Veja o trailer do filme Clash
O que acontece em Clash
No Cairo, durante os protestos que seguiram ao golpe militar de 2013, um grupo aleatório de egípcios é preso e jogado dentro de uma velha caminhonete da polícia.
Presos juntos, estão simpatizantes e opositores do governo deposto, além de um jornalista, uma criança de rua e outros civis. O espaço minúsculo vira um microcosmo da divisão política do Egito.
Dirigido por Mohamed Diab, o filme se arrasta pelas ruas do Cairo com a carroceria como única cenário. A câmera fica presa ali dentro junto com o elenco, sufocando o espectador.
Clash é um drama político com pegada de suspense que dispensa flashbacks: tudo o que importa está acontecendo ali, em tempo real, com suor, calor e medo.
Estreia e legado
Clash (título original: Eshtebak) foi apresentado na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2016, onde recebeu boas críticas pela coragem temática.
No Brasil, chegou aos cinemas em 4 de maio de 2017, distribuição da Imovision, com sessões voltadas ao circuito alternativo e cinéfilo.
O longa marcou a volta do diretor Mohamed Diab ao Egito depois de uma pausa nos Estados Unidos, e ajudou a consolidar a carreira de atores como Nelly Karim e Ahmed Malek.
Hoje é lembrado como um dos filmes mais ousados do cinema árabe contemporâneo sobre a Primavera Árabe, citado junto a Cairo 678 e Sheikh Jackson.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a decisão de filmar quase 100% dentro da caminhonete cria uma sensação de claustrofobia brilhante. A direção de Mohamed Diab transforma um veículo velho no retrato inteiro de um país rachado ao meio.
O roteiro também acerta ao colocar lado a lado personagens com visões opostas, forçando diálogos tensos sobre liberdade, religião e patriotismo.
Ponto fraco: o ritmo pode cansar quem espera reviravoltas tradicionais. Em vários momentos, o filme aposta no silêncio e na imobilidade, o que exige paciência do espectador.
Também pesa a falta de contexto histórico para quem não acompanhou a crise egípcia de 2013: entrar no longa sem essa base pode soar confuso.
Curiosidades
- O filme foi rodado parcialmente em uma caminhonete real que circulou pelas ruas do Cairo, com a equipe escondida dentro do veículo para captar o clima autêntico dos protestos.
- Mohamed Diab se inspirou em reportagens e vídeos amadores da repressão pós-golpe de 2013 para construir os diálogos dentro da carroceria.
- A produção não pôde ser filmada nos locais reais dos protestos por questões de segurança, então a equipe reconstruiu várias ruas em estúdio.
Perguntas frequentes
Clash é baseado em fatos reais?
Sim. O longa se passa no contexto real do golpe militar de julho de 2013 que removeu Mohamed Morsi do poder e da onda de protestos que se seguiu, com prisões arbitrárias sendo um elemento histórico documentado.
Onde assistir Clash online?
Por ser um título de distribuição independente, o filme costuma circular em catálogos de streaming dedicados ao cinema autoral, além de sessões pontuais em mostras e cineclubes.
Clash tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa termina dentro da caminhonete e o filme encerra de forma seca, sem cenas extras após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema político árabe interessados em registros da Primavera Árabe além de ficção hollywoodiana.
- Quem curte dramas claustrofóbicos em espaço único, no estilo de As Nadadoras e produções de cerco.
- Espectadores que gostam de filmes de discussão, daqueles que rendem debate longo depois dos créditos.
Título original: Eshtebak
País de origem: Egito
Data do lançamento: 04/05/2017
Distribuidora: Imovision
Diretor: Mohamed Diab
Principais atores: