O conto de fadas contado ao contrário
Charming parte de uma premissa simples e certeira: e se Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida descobrissem que estão noivas do mesmo príncipe? A animação de Ross Venokur pega os maiores ícones do gênero fantasia e os coloca numa enrasada real.
O Príncipe Encantado é amaldiçoado: toda mulher que cruza o caminho dele se apaixona instantaneamente. A solução mágica prometida por uma feiticeira vem com prazo de validade, e aí o circo pega fogo.
O roteiro aposta no humor metalinguístico e na quebra de expectativa. Em vez do conto açucarado, a história zomba da própria fórmula que conhecemos desde criança.
Para quem curtiu a pegada cínica de Encantado, o tom aqui deve soar familiar, embora o alvo seja outro.
Estréia, legado e impacto
Charming foi lançado em 2018, fruto da parceria entre a 3Beats Productions e a Open Road Films. O longa teve um lançamento discreto, sem a fanfarra de um grande estúdio Disney, e acabou chegando ao público brasileiro mais tarde, em streaming e no canal fechado do Telecine.
Não emplacou nas bilheteiras, teve recepção morna dos críticos e amargou notas baixas em agregadores como Rotten Tomatoes e Metacritic.
Mesmo assim, virou cult entre crianças que viam repetidamente na TV e entre adultos que descobriram a metalinguagem mais afiada escondida no meio das piadas. É um daqueles títulos fáceis de subestimar pela embalagem.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a premissa é genial e o humor de desmontagem dos contos de fadas acerta em cheio quando pega no ritmo. As piadas sobre os papéis de gênero nos clássicos e a forma como o roteiro vira os finais felizes do avesso funcionam bem.
Ponto fraco: o vilão é raso, a subtrama política da rainha Néfária não ganha força e algumas piadas visam um humor adulto que escapa das crianças sem ajudar os adultos. O ritmo oscila entre cenas ágeis e trechos parados demais, e os personagens coadjuvantes, como Lenny, prometem mais do que entregam.
No fim, é um filme honesto, com boas intenções, mas que não escapa da irregularidade.
Curiosidades dos bastidores
- O filme foi pensado como um musical nos estágios iniciais, mas a ideia foi cortada para reduzir o orçamento final.
- Demi Lovato, Ashley Tisdale e Avril Lavigne emprestaram suas vozes para personagens do filme, o que ajudou no marketing com o público pré-adolescente.
- Charming foi lançado no mesmo período de outras animações independentes que tentavam reinventar contos de fadas, como o longa Lemon Cake, que acabou nunca saindo do papel.
Perguntas frequentes
Charming (2018) é uma animação para crianças?
Sim, é classificado como filme de família, mas o humor funciona em camadas. Crianças a partir de 8 anos aproveitam as piadas visuais, enquanto adultos captam as referências metalinguísticas.
Qual é a história de Charming, da 3Beats?
Um príncipe amaldiçoado encanta qualquer mulher que veja seu rosto. Quando três princesas famosas descobrem que estão noivas dele, o caos se instala.
Charming tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com a resolução da maldição e um epílogo curto sobre o casamento real. Pode levantar da poltrona quando começar a subir os nomes do elenco.
Pra quem é este filme:
- Fãs de sátira de contos de fadas: quem já assistiu a Shrek, A Princesa e o Sapo e Encantado, e curte ver os clássicos revirados do avesso.
- Maratonistas de animação familiar: famílias que buscam opções de animação com humor inteligente que agrade pais e filhos no mesmo sofá.
- Curiosos de fantasia com olhar crítico: leitores de releituras de Grimm, espectadores que pesquisam bastidores de adaptações e que adoram discutir a estrutura dos contos.
País de origem: EUA
Diretor: Ross Venokur