Veja o trailer do filme Carol
Premissa
Manhattan, início dos anos 1950. Therese Belivet trabalha atrás do balcão de uma loja de departamento e desenha cenários de teatro à noite, esperando algo que a tire da vida apertada que leva.
Esse algo aparece na forma de Carol Aird, uma cliente bonita e bem-vestida que quer comprar um trem de brinquedo para a filha. O encontro dura poucos minutos, mas o suficiente para plantar uma semente.
Daí em diante, o que era paquera discreta vira caso, o caso vira fuga, e a fuga vira o centro de um drama sobre convenção, maternidade e o preço de amar quem não se pode amar em público. A direção de Todd Haynes constrói um romance adulto feito mais de olhares do que de palavras.
Estreia e legado
Carol estreou em maio de 2015 no Festival de Cannes, onde Cate Blanchett levou o prêmio de Melhor Atriz — uma decisão unânime do júri, sem discussão.
Chegou aos cinemas brasileiros em março de 2016, distribuído pela Mares Filmes, em um circuito pequeno mas premiado: seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Figurino, Trilha Sonora e Fotografia.
Saiu da cerimônia com nenhuma estatueta, mas consolidou o status de clássico moderno do cinema LGBTQ. Hoje aparece em listas de melhores filmes da década de 2010 e é referência obrigatória de romance visualmente meticuloso.
Se você curtiu a delicadeza de O Curioso Caso de Benjamin Button ou a melancolia de Manchester à beira-mar, tem muita coisa aqui para reconhecer.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Cate Blanchett e Rooney Mara. A primeira carrega o filme inteiro no olhar e nos gestos contidos; a segunda sustenta o filme com um rosto que a câmera parece inventar a cada close.
A fotografia de Edward Lachman é um capítulo à parte: filme Super 16, granulação presente, cores que parecem tingidas em chá, Nova York filmada como quem filtra uma memória.
Ponto fraco: o ritmo pede paciência. Se você entra esperando reviravoltas, não vai achar. O terceiro ato é essencialmente estático, apoiado em diálogos breves e silêncios longos.
Para quem se conecta com a proposta, isso é deleite. Para quem espera o motor de um De Canção em Canção, pode parecer travado.
Curiosidades
- O roteiro foi adaptado por Phyllis Nagy a partir do romance “The Price of Salt”, de Patricia Highsmith, publicado em 1952 sob pseudônimo por medo de represálias.
- A fotografia foi rodada em película Super 16 mm para conferir textura analógica ao período, fugindo do digital limpo.
- Cate Blanchett e Rooney Mara foram indicadas na mesma categoria no Oscar 2016 — não共存, mas em Actress e Supporting Actress — fato raríssimo na história da premiação.
Perguntas frequentes
Carol é baseado em fatos reais?
Não. O filme é adaptado do romance “The Price of Salt” (1952), de Patricia Highsmith, uma ficção inspirada em parte na própria experiência da autora.
Carol tem cena pós-créditos?
Não. A cena final é a que importa e funciona como encerramento emocional, sem nenhuma sequência extra depois dos créditos.
Carol é um filme lésbico?
É um romance entre duas mulheres no início dos anos 1950, centrado na história de amor e nas pressões sociais da época. O termo costuma ser usado pela crítica, mas o filme trata o tema de forma íntima, não panfletária.
Onde assistir Carol online?
O filme já passou pela janela de streaming em catálogos como Mubi e Apple TV. A disponibilidade muda, então vale checar a grade de plataformas na sua região.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de época que valorizam reconstituição visual milimétrica, figurino rigoroso e direção de arte carregada de detalhes.
- Leitoras e leitores de ficção lésbica contemporânea, de Sarah Waters a Ocean Vuong, interessados em retratar afetos reprimidos em sociedades moralistas.
- Quem acompanha o circuito de premiações e curte dramas de prestígio, com aqueles desempenhos centrais que costumam parar no Oscar.
Título original: Carol
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 02/03/2003
Distribuidora: Mares Filmes
Diretor: Todd Haynes
Principais atores: