Veja o trailer do filme Branco Sai, Preto Fica
Branco Sai, Preto Fica
O Filme
O documentário Branco Sai, Preto Fica parte de um acontecimento real e o expande para virar outra coisa. Em um baile de black music na Ceilândia, periferia de Brasília, um tiroteio fere dois homens que passam o resto da vida carregando o corpo marcado pela violência.
Dirigido por Adirley Queirós, o filme documenta os sobreviventes, Marquim do Tropa e Shockito, e usa ficção para interpelar o passado. Um terceiro personagem, vindo de um futuro próximo, assume a função de investigar o caso e cobrar responsabilidade da sociedade.
A proposta é política, experimental e esteticamente seca, sem didatismo nem trilha emocional forçada. A mistura de documentário, drama e ficção científica é o que dá ao longa a sua cara própria.
Estreia e Legado
Branco Sai, Preto Fica foi originalmente concluído em 2014, após anos de trabalho de Adirley Queirós em Ceilândia, cidade que o diretor acompanha em sua filmografia. A circulação internacional começou em festivais, com passagem por mostras competitivas na América Latina e na Europa.
No Brasil, a estreia comercial aconteceu em 2 de março de 2022, distribuída pela Vitrine Filmes. O longa entrou em circuito alternativo e programações universitárias, consolidando-se como peça-chave do cinema periférico de Brasília.
É leitura obrigatória para entender o cinema político contemporâneo, lado a lado com Era Uma Vez Brasília (2016), do mesmo diretor, e com obras como A Cidade é uma só? (2022) e Mato Seco em Chamas (2023).
Vale o Ingresso?
Ponto alto: a invenção formal. Queirós costura fala de rua, ficção científica de baixo orçamento e arquivo documental sem pedir licença, criando uma das formas mais originais do documentário brasileiro recente.
Ponto alto: o elenco real. Marquim do Tropa e Shockito não interpretam a si mesmos: eles se reapresentam a partir de uma ficção, e essa distância dá densidade ao trauma.
Ponto fraco: o ritmo é lento e a montagem é deliberadamente não linear. Quem chega esperando um documentário clássico sobre violência policial pode sair frustrado nas primeiras vinte minutos.
Ponto fraco: a camada de sci-fi, embora potente na ideia, tem produção modestíssima. As cenas do futuro poderiam render mais.
Curiosidades
- O longa dá sequência ao projeto de Adirley Queirós em Ceilândia, iniciado em Era Uma Vez Brasília (2016).
- Os personagens principais são interpretados por pessoas que viveram situações próximas às do filme, borrando a fronteira entre drama e documentário.
- A trilha aposta no baile e na black music da periferia como elemento narrativo, não como cenário.
Perguntas Frequentes
Branco Sai, Preto Fica é documentário ou ficção?
Os dois. O ponto de partida é real (o tiroteio no baile de Ceilândia), mas o filme incorpora encenação, personagens ficcionais e um investigador vindo do futuro.
Quem dirige Branco Sai, Preto Fica?
Adirley Queirós, mesmo diretor de Era Uma Vez Brasília (2016) e de Panorama Brasil XII.
Branco Sai, Preto Fica tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina dentro do próprio enunciado, sem teaser ou gancho extra depois dos créditos.
Pra quem é este filme:
- Leitores de Morte e Vida Severina e Cidadão Kane no mesmo dia: gente interessada em política, forma cinematográfica e periferia urbana.
- Pessoas acompanhando o cinema de Adirley Queirós e querendo entender a trilogia de Ceilândia.
- Curiosos por misturas raras: drama + documentário + ficção científica social.
Título original: Branco Sai, Preto Fica
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 02/03/2022
Distribuidora: Vitrine Filmes
Diretor: Adirley Queirós
Principais atores: