Bird People
Sobre o que é o filme
Bird People acompanha Gary, um engenheiro americano da Califórnia, em viagem de trabalho a Paris. Aterrissado num hotel corporativo pertinho do aeroporto Charles de Gaulle, ele não consegue dormir e entra em parafuso existencial.
Do outro lado do mesmo prédio, Audrey é camareira e passa pelo mesmo hotel fazendo seu turno. As duas trajetórias sócias convergem no terceiro ato por meio de um evento sobrenatural discreto, mais sugerido do que mostrado.
É um drama francês de câmera paciente, com cara de cinema de arte exibido em festival. Mais slice of life com puxada para o fabuloso do que thriller existencial.
Estreia e legado
Bird People chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, em circuito bastante reduzido, como é comum para títulos da Pascale Ferran. A diretora tinha um histórico de premiações em Cannes com Lady Chatterley (2006), o que ajudou a dar vitrine ao filme no circuito de arte.
Não é um longa com números de blockbuster: rodou em mostras e salas alternativas, dividindo opiniões entre quem achou a proposta radical e quem travou no ritmo lento.
Hoje é lembrado como uma experiência de nicho, citado por críticos que acompanham o cinema francês contemporâneo e por fãs de Uma Nova Amiga, anterior da própria Ferran, e de Sociedade dos Poetas Mortos, com o qual divide a temática do “professor que abandona tudo para recomeçar”.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte do hotel e a forma como a rotina aparece filmada, quase sem cortes, dá uma sensação de sufocamento funcional que casa com o tema do burnout.
As atuações de Anaïs Demoustier e Josh Charles são o motor do longa, especialmente no capítulo final, quando o filme vira o tom sem aviso.
Ponto fraco: o ritmo. Os dois primeiros atos são arrastados para qualquer fã de narrativa mais ágil. Se você não curte contemplação, vai olhar o relógio.
Também pesa a pouca recompensa emocional para quem espera um desfecho redondo. A proposta é sugerir, não entregar, e isso frustra parte do público.
Curiosidades
- O filme foi rodado em um hotel real nos arredores de Paris, com a equipe circulando pelo prédio de verdade para captar a rotina
- Pascale Ferran pesquisou mais de três anos sobre esgotamento profissional antes de escrever o roteiro, chegando a entrevistar engenheiros de TI expatriados
- O título faz referência explícita à ideia de voar, presente no arco do Gary e em alguns planos com pássaros reais filmados em Paris
Perguntas frequentes
Bird People tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma sequência de bastidor leve, sem cenas extras depois dos créditos finais.
Bird People é um filme de terror ou fantasia?
É classificado como drama, mas tem um elemento sobrenatural discreto no terceiro ato, mais fabuloso do que assustador. Nada no estilo de terror clássico.
Vale a pena assistir Bird People?
Vale para quem curte cinema francês lento, dramas existenciais e atuações contidas. Se você prefere tramas mais ágeis ou comédias, provavelmente vai se frustrar com o ritmo de 127 minutos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema francês contemporâneo, especialmente da Pascale Ferran e de títulos como Uma Nova Amiga e Romance à francesa
- Pessoas interessadas em dramas sobre burnout, transição de carreira e crise de meia-idade fora do formato hollywoodiano
- Leitores de escritores como David Foster Wallace ou Virginie Despentes, que curtem narrativas sobre alienação urbana e recomeços radicais
Título original: Bird People
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Pascale Ferran
Principais atores: