Betty Blue

Betty Blue

Sobre o que é Betty Blue

Zorg é um zelador pacato que cuida de 500 bangalôs numa praia deserta do sul da França. De dia conserta telhados, de noite escreve romances que guarda numa mala. A vida muda quando Betty invade seu bangalô, decide morar ali e o arrasta para uma relação de intensidade quase insuportável.

Os dois partem para Paris, tentam trabalhar como garçons no restaurante de Eddy e sonham com uma vida nova. Betty descobre os manuscritos de Zorg, decide que ele é um gênio e sai datilografando originais para todas as editoras. O peso de não ser reconhecida e a instabilidade que já existiam nela começam a ganhar forma.

Dirigido por Jean-Jacques Beineix e baseado no romance de Philippe Djian, Betty Blue é um drama sobre amor tóxico, criação artística e o que acontece quando alguém decide viver pelo outro, mesmo quando o outro começa a desmoronar.

Estreia e legado

Betty Blue estreou em 1986 na França e no circuito europeu, com o título original 37°2 le matin, referência à temperatura corporal de Betty num momento crítico do filme. A obra é um dos títulos mais marcantes do cinema francês dos anos 80 e ajudou a consolidar o chamado cinema do olhar, movimento que privilegiava imagem, som e sensorialidade em vez de roteiro tradicional.

O filme chegou ao Brasil com cortes e versões diferentes. Durante anos circulou em cópias censuradas, o que ajudou a construir a fama de obra polêmica e de difícil acesso. Hoje é lembrado como clássico absoluto, citado por cineastas e estudado em escolas de cinema por sua direção de arte, montagem de ritmo musical e uso extremo de cor.

Beineix disputou a Palma de Ouro em Cannes 1986 e ganhou o César de Melhor Atriz para Béatrice Dalle, que estreou no cinema com este papel. A performance virou referência para personagens femininas intensas no cinema europeu e é constantemente citada como um dos grandes debuts da história do cinema francês.

A estética azul saturada virou identidade visual do filme e influenciou capas de discos, clipes e até a moda dos anos seguintes. Décadas depois, Betty Blue continua sendo revisitado em listas de melhores dramas românticos e de melhores filmes de estreia da história do cinema.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a interpretação de Béatrice Dalle. Betty é magnética, vulnerável e assustadora na mesma cena, e o filme ganha um fôlego raro a partir da entrega dela. A direção de arte e a fotografia azul também merecem destaque: cada quadro parece uma pintura.

Ponto fraco: o ritmo pede paciência. Algumas cenas se estendem além do necessário, e quem busca um drama mais enxuto pode se incomodar com o andamento em blocos longos. É um filme para sentir, não para responder rápido.

Curiosidades

  • O título original, 37°2 le matin, é uma alusão médica: 37,2 é a temperatura corporal de Betty durante uma crise, o que dá um tom clínico e simbólico ao mesmo tempo.
  • Béatrice Dalle foi descoberta por Beineix numa boate em Paris e nunca tinha feito cinema antes. A cena em que ela queima o bangalô foi improvisada em parte, com a equipe não avisada do que ia acontecer.
  • A trilha sonora de Gabriel Yared se tornou tão influente quanto o próprio filme, sendo sampleada e citada em trilhas de cinema e TV por décadas.

Perguntas frequentes

Betty Blue é baseado em livro?

Sim. O filme é uma adaptação livre do romance 37°2 le matin, de Philippe Djian, publicado em 1985. Beineix escreveu o roteiro em parceria com o próprio Djian.

Betty Blue tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com uma das imagens mais comentadas do cinema francês dos anos 80 e não traz cena extra após os créditos finais.

Betty Blue é o mesmo que 37°2 le matin?

Sim. São o mesmo filme, lançado com títulos diferentes no Brasil e na Europa. O título brasileiro, Betty Blue, virou mais popular por aqui, enquanto o original francês é usado no circuito de cinematecas e festivais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema europeu dos anos 80, especialmente do cinema do olhar francês e de diretores como Beineix, Besson e Carax.
  • Leitores de Philippe Djian e de romances sobre relações amorosas destrutivas, obsessão e boemia urbana.
  • Público que gosta de dramas com estética forte, fotografia marcante e trilhas sonoras que viram personagem, como as de Gabriel Yared aqui.