Veja o trailer do filme Besouro
Besouro
O que é Besouro?
Besouro é um filme de ação brasileiro ambientado na Bahia da década de 1920, período em que a abolição já existia no papel, mas os negros do interior ainda viviam sob a tutela de coronéis.
No centro da história está Manoel, que ainda criança foi apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio. A ideia era ensinar mais do que golpes: o velho mestre queria passar concentração, disciplina e senso de justiça.
Quando cresce, Manoel assume o apelido de Besouro — uma referência ao inseto que, segundo a lenda, não deveria voar, mas voa. Ele se torna o defensor do seu povo contra a opressão, o que dá ao filme seu motor narrativo.
A direção é de João Daniel Tikhomiroff, que transforma a lenda em um espetáculo visual com cara de aventura mítica, bem distante do cinema de época tradicional.
Estreia e legado
Besouro chegou aos cinemas brasileiros em 2009 e rapidamente virou um dos longas nacionais mais comentados daquele ano. A mistura de artes marciais, lenda popular e denúncia racial chamou atenção por sair do circuito habitual das comédias e dramas urbanos do cinema brasileiro.
Do lado negativo, o filme foi proibido nos Estados Unidos sob a acusação de retratar a capoeira de forma fantasiosa e historicamente irresponsável. A polêmica acabou funcionando como propaganda e ajudou a alimentar a curiosidade em torno do título.
Anos depois, Besouro ainda é lembrado como um dos poucos longas brasileiros a tratar a capoeira como elemento central de ação, abrindo espaço para debates sobre representatividade negra e mitologia afro-brasileira no audiovisual nacional.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as coreografias de luta são o grande trunfo do filme. A capoeira aparece estilizada, com câmera lenta, ângulos ousados e uma energia que lembra produções de wuxia asiático. Para quem gosta de ação visual, é um deleite raro no cinema nacional.
Ponto alto: a fotografia, assinada por Dado Carli (que já havia trabalhado com Tikhomiroff em O Último Voo do Flamingo), aposta em cores saturadas, luz natural e uma Bahia quase onírica que sustenta bem o tom de lenda.
Ponto fraco: a narrativa peca pela fragmentação. Algumas sub-tramas somem no ar, o terceiro ato acelera demais conflitos que pediam respiro e a edição confunde em certas cenas de luta, cortando justamente quando o corpo-a-corpo engrena.
Ponto fraco: a busca por imprimir misticismo faz o filme oscilar entre drama histórico, aventura e fantasia sem assumir de vez um caminho, o que pode frustrar quem espera só realismo ou só fantasia.
Curiosidades dos bastidores
- Antes do elenco principal, o diretor João Daniel Tikhomiroff rodou o Brasil atrás de um ator que dominasse de verdade a capoeira, não apenas encenasse, o que definiu toda a escalação do filme.
- A proibição nos Estados Unidos ocorreu em razão de uma queixa registrada por um grupo que acusava o longa de apropriação cultural e distorção da capoeira como arte marcial.
- O figurino e a direção de arte apostaram em pesquisa em arquivos fotográficos da Bahia rural da década de 1920, mas com liberdade para acentuar tons e texturas que aproximassem o visual do universo dos quadrinhos e do cinema oriental.
Perguntas frequentes
Besouro (2009) é baseado em uma história real?
O filme é inspirado na lenda popular do Besouro Mangangá, um capoeirista baiano real do início do século XX, mas a narrativa assume tons mitológicos e fantásticos, sem compromisso com reconstituição histórica fiel.
Besouro tem cena pós-créditos?
Não, o filme não tem cena pós-créditos. Após o encerramento da história principal, a tela segue para os créditos finais sem sequência adicional.
Besouro foi proibido nos Estados Unidos?
Sim, o longa foi alvo de restrição de exibição nos EUA após acusações de retratar a capoeira de forma fantasiosa e supostamente desrespeitosa, polêmica que ajudou a aumentar a visibilidade do título no resto do mundo.
Qual é a classificação indicativa de Besouro?
O filme é recomendado para maiores de 14 anos, devido a cenas de luta intensa, violência e temáticas de opressão racial.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de artes marciais, especialmente quem curte a estética de wuxia e lutas com câmera lenta, vão encontrar em Besouro um prato cheio raro no cinema brasileiro.
- Interessados em cultura afro-brasileira e mitologia popular encontram aqui uma releitura livre da lenda do Besouro Mangangá, misturada com referências ao candomblé e à oralidade baiana.
- Quem acompanha o cinema nacional de ação fora do eixo Rio-São Paulo, especialmente títulos que dialogam com a Bahia histórica, vai se reconhecer na proposta do longa.