Berthe Morisot
Sobre o que é Berthe Morisot
O filme Berthe Morisot mergulha na Paris do século XIX para contar a história de uma das pintoras que ajudaram a fundar o impressionismo.
A trama começa em 1865, quando Berthe tem 25 anos e quer viver da própria arte. Os pais têm outros planos para ela, alinhados com o que se esperava de uma jovem bem-nascida da época.
É nesse contexto de tensão familiar que ela conhece Édouard Manet, interpretado por Malik Zidi. A relação com o pintor mais experiente vira um catalisador da carreira e da rebeldia de Berthe.
Dirigido por Caroline Champetier, conhecida justamente pelo olhar apurado de diretora de fotografia, o filme trata arte, gênero e independência sem didatismo.
Estreia e legado
Berthe Morisot chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017. A produção francesa circulou em circuito de arte, longe do circuito blockbuster.
É o tipo de biografia que aposta no recorte íntimo em vez do épico histórico. O foco está na jornada pessoal da artista, não em grandes reconstituições de época.
Como legado, o filme ajudou a colocar no radar do público cinéfilo o nome de uma das pintoras mais importantes do século XIX, ainda pouco conhecida fora do circuito de história da arte.
Quem se interessar pelo universo de artistas malditos e marginais pode cruzar essa sessão com Gaguin, outro retrato de pintor francês igualmente à margem.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a recriação de Paris no século XIX, com a direção de fotografia assinada por Caroline Champetier transformando cada cena numa pintura em movimento. A Marine Delterme entrega uma Berthe contida, inteligente, segura do tipo de atriz que dispensa grandes explosões emocionais.
O roteiro também acerta ao não romantizar a relação com Manet, mostrando uma parceria intelectual e artística antes de qualquer clichê romântico.
Ponto fraco: o ritmo é lento, quase contemplativo, e exige paciência. Quem espera reviravoltas ou drama convencional pode achar o filme parado demais.
Também pesa a distribuição restrita: Berthe Morisot não é fácil de achar em sessões regulares, e muitas vezes aparece em mostras de cinema e retrospectivas, como aconteceu com títulos similares como O Segredo da Câmera Escura (2017).
Curiosidades de bastidores
- Caroline Champetier é uma das diretoras de fotografia mais respeitadas da França, com créditos em filmes de Leos Carax e Arnaud Desplechin, e aqui estreia com um projeto autoral sobre uma das fundadoras do impressionismo.
- Berthe Morisot foi, na vida real, a única mulher a expor na primeira mostra impressionista de 1874, ao lado de Monet, Renoir, Degas e Pissarro.
- A relação entre Berthe e Manet é menos romance e mais troca intelectual: ele pintou o famoso retrato Berthe Morisot com um buquê de violetas justamente nesse período retratado pelo filme.
Perguntas frequentes
Berthe Morisot é um filme indicado para quem gosta de arte?
Sim. É praticamente um filme sobre a construção de uma pintora. Quem curte história da arte vai reconhecer nas cenas a transição entre a pintura acadêmica e o impressionismo.
O filme é indicado para o público jovem?
Funciona melhor para espectadores acostumados com cinema de autor e dramas de época. O ritmo lento e o recorte histórico pedem certa familiaridade com o gênero.
Berthe Morisot tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra sua narrativa de forma clássica, antes dos créditos finais, sem ganchos ou teasers extras.
Pra quem é este filme:
- Interessados em história da arte e no movimento impressionista, que vão reconhecer referências pictóricas na própria mise-en-scène.
- Leitores de biografias de artistas malditos e mulheres pioneiras, que consomem títulos como A Rebelião (2019) e Vatel - Um Banquete Para o Rei.
- Cinéfilos que valorizam o cinema francês de autor e a fotografia refinada, e que não se importam com narrativa veloz.
Título original: Berthe Morisot
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Caroline Champetier
Principais atores: