Sobre o que é Beijos Proibidos
Em 1968, François Truffaut voltou a vestir a pele de seu personagem mais pessoal. Beijos Proibidos (Baisers Volés) é o terceiro longa da saga de Antoine Doinel, agora fora do exército e tentando a vida adulta em Paris.
Ele consegue um emprego como atendente noturno de hotel, depois migra para a função de detetive particular — sem ter a menor vocação para o ofício. Nesse meio, se apaixona pela meiga Christine Darbon, interpretada por Claude Jade, a terceira e mais estável de suas grandes namoradas no cinema.
O longa equilibra comédia, drama e romance com a leveza de quem filtra o cotidiano parisiense por uma câmera afetuosa. A trilha embala a história com Que reste-t-il de nos amours, de Charles Trenet, citada dentro do filme e transformada em amuleto emocional da trama.
Estreia e legado
Beijos Proibidos estreou na França em 1968, no fim de uma década que transformou o cinema mundial. O longa ajudou a consolidar a maturidade da Nouvelle Vague e rendeu a Claude Jade o prêmio Suzy Bianquetti, além do BAFTA de Melhor Atriz para uma Estreante em 1970.
No Brasil, a versão que chegou em 16 de março de 2017 é a restauração 4K da MK2, distribuída pela Versátil em circuito alternativo. A reposição apresentou o filme a uma nova geração de espectadores, acostumados a descobrir Truffaut em catálogos de streaming.
Hoje, o título é lembrado como o ponto em que a saga de Doinel alcança seu tom mais terno, dividindo espaço com o faro clínico de O Homem que Amava as Mulheres (1977) na filmografia do diretor. É uma peça-chave para entender o cinema autoral francês do pós-68.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Jean-Pierre Léaud e Claude Jade, somada à direção de Truffaut, transforma uma história simples em um retrato honesto da tentativa de virar adulto. As cenas de detetive nonsense rendem gargalhadas inesperadas.
Ponto fraco: quem busca ritmo acelerado ou reviravoltas vai se frustrar. O filme aposta em pequenos gestos, silêncios e deslocamentos do protagonista, em um andamento contemplativo que exige paciência.
É cinema para quem valoriza o processo, não o evento.
Curiosidades
- O título brasileiro, Beijos Proibidos, é uma adaptação livre do original Baisers Volés, que veio de um verso de François Villon, poeta medieval francês.
- Claude Jade, então com 19 anos, foi escolhida entre cerca de 250 candidatas em testes organizados por Truffaut. A inexperiência era proposital: o diretor queria uma atriz que transmitisse naturalidade.
- A canção Que reste-t-il de nos amours, de Charles Trenet, não foi composta para o filme, mas Truffaut a inseriu na trama e ela se tornou um dos símbolos da Nouvelle Vague.
Perguntas frequentes
Beijos Proibidos é a continuação de qual filme?
É o terceiro longa do ciclo de Antoine Doinel, depois de Os Inocentes (1959) e do curta Antoine e Colette (1962), ambos dirigidos por Truffaut.
Beijos Proibidos tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina no próprio corte final e não traz cenas extras após os créditos.
Beijos Proibidos é o mesmo que Baisers Volés?
Sim, é o mesmo filme. Baisers Volés é o título original francês, lançado em 1968; Beijos Proibidos é o título usado na distribuição brasileira.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte e da Nouvelle Vague que querem ver um Truffaut em sua melhor fase criativa.
- Espectadores que gostam de comédias românticas adultas, com humor seco e olhar humano sobre erros de juventude.
- Admiradores do personagem Antoine Doinel, em busca do terceiro capítulo da saga iniciada em Os Inocentes (1959).
Título original: Baisers Volés
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017