Veja o trailer do filme Austerlitz
Austerlitz
O que é Austerlitz e por que ele incomoda tanto
Em vez de explicar o Holocausto, o Sergei Loznitsa filma quem vai visitá-lo. Austerlitz é um documentário observacional gravado nos memoriais de Sachsenhausen e Dachau, na Alemanha.
Sem narração, sem trilha emocional, sem entrevistas. A câmera apenas registra corpos, gestos, sorrisos e selfies diante de fornos crematórios reais.
O filme faz uma pergunta incômoda: o que essas pessoas estão fazendo ali? E a resposta fica em aberto, devolvida ao espectador.
De Veneza ao circuito de festival: a trajetória do filme
Austerlitz estreou na 73ª Mostra de Veneza, em 2016, na seção Horizontes, dedicada a cinematografias mais radicais. Chegou ao circuito brasileiro em março de 2017, em sessões pontuais.
O título vem do romance de W.G. Sebald, embora o filme em si não adapte a narrativa do livro. Funciona como palavra-símbolo: a tentativa de elaborar o trauma europeu a partir da memória, do silêncio e dos ruídos do presente.
É um filme que vive em mostras, retrospectivas e cinéfilos que buscam Minha Felicidade e Na Neblina depois de assisti-lo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a coragem formal. São 94 minutos sem narração explicando o que você deveria sentir, e ainda assim a angústia se acumula. As sequências em plano fixo nos fornos são das imagens mais duras vistas em documentário recente sobre Holocausto.
Os enquadramentos longos transformam visitantes em personagens, expondo a distância entre turismo e memória.
Ponto fraco: a repetição. Depois de certo ponto, a estratégia observacional vira tédio para quem espera desenvolvimento narrativo. Não há curva, clímax ou resposta.
Quem não tolera cinema contemplativo vai abandonar antes do final.
Curiosidades de bastidor
- Loznitsa é também historiador e documentarista do Leste europeu; o filme dialoga diretamente com Donbass e Maïdan.
- O título é uma referência ao romance do alemão W.G. Sebald, mas não há adaptação direta da obra literária no filme.
- As filmagens foram feitas com câmera fixa em tripé, sem cortes, registrando entre uma e duas horas de plano por tomada nos memoriais.
- Em Veneza 2016, a crítica europeia destacou a estratégia anti-ilustrativa: o horror não é mostrado em arquivo, mas construído pelo comportamento dos visitantes no presente.
Perguntas frequentes sobre Austerlitz
Austerlitz é um filme difícil de assistir?
Sim, embora não apresente violência explícita nem imagens de arquivo pesadas. A dificuldade está no tempo, no silêncio e na ausência de narração explicativa. Quem espera um documentário clássico vai estranhar a estrutura.
Austerlitz tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina abruptamente, sem créditos finais em animação nem imagens extras após o título final.
Austerlitz é o mesmo Austerlitz de W.G. Sebald?
Não é uma adaptação. Compartilha o título, o tema da memória e certa melancolia do século XX europeu, mas a narrativa do livro não aparece no filme.
Pra quem é este filme:
- Leitores de W.G. Sebald e Giorgio Agamben, interessados em elaborar o trauma europeu por meio da imagem e do silêncio.
- Estudantes de cinema e história que reconhecem o valor de registros não-ficcionais sobre Holocausto, memoriais e turismo de massas.
- Espectadores de mestres do plano fixo como Lav Diaz, Wang Bing e Chantal Akerman, que apreciam o tempo real como ferramenta crítica.
Título original: Austerlitz
País de origem: Alemanha
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Sergei Loznitsa