Veja o trailer do filme Amores Canibais
Amores Canibais
Sobre o que é Amores Canibais
Em um futuro próximo, o deserto do Texas virou um depósito de descartados. Uma comunidade de canibais administra seu próprio terreno cercado, com regras claras: quem não serve, vira comida. A vida ali segue em paz, quase doméstica, até a hora do jantar.
Arlen (Suki Waterhouse) é expulsa do clã, amputada de um braço e de uma perna, e largada para morrer no sol. Ao cruzar o deserto, ela chega à cidade de Comfort, um assentamento onde a escassez virou mercado. É lá que conhece Miami Man (Jason Momoa), o canibal mais carismático do pedaço, que decide mantê-la por perto em vez de comê-la.
O filme é um ficção científica distópico, mas funciona também como romance estranho, com fotografia neon e uma trilha sonora que mistura pop, eletrônica e rock oitentista.
Estreia e legado
Amores Canibais estreou no Festival de Cannes 2016, na seção Midnight, fora da competição principal. Foi lançado em poucos cinemas nos Estados Unidos em junho de 2016 e chegou ao catálogo da Netflix pouco depois, onde encontrou seu público.
É o segundo longa da diretora Ana Lily Amirpour, depois do cultuado Demônio de neon (A Girl Walks Home Alone at Night). A recepção foi morna na crítica especializada: dividiu público entre os que aplaudiram a estética e os que acharam o roteiro frouxo. Mesmo assim, virou referência obrigatória no circuito de cinema de gênero independente e segue sendo revisitado em listas de road movies sci-fi dos anos 2010.
Não ganhou Oscar, Palma de Ouro nem nada do tipo. Mas o elenco reunido — com Keanu Reeves, Jim Carrey e Diego Luna em pontas — virou chamariz curioso para muita gente que nem sabia do que se tratava.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte é de outro mundo. O deserto parece um quadro pop, a cidade de Comfort funciona como cenário de western cyberpunk e Jason Momoa entrega uma performance física, silenciosa, muito à vontade como o canibal de coração mole.
A trilha sonora, assinada por Madlib, é outro acerto. Amores Canibais respira a cultura de fitas VHS, bandas de garagem e quadrinhos underground que a diretora claramente ama.
Ponto fraco: o roteiro é mais atmosférico do que narrativo. A segunda metade arrasta, e a relação entre Arlen e Miami Man pede mais química do que o filme entrega. Se você busca uma ficção científica com trama redonda no estilo Matrix, vai sair frustrado.
Curiosidades de bastidores
- O filme foi rodado em pleno deserto de Mojave, no estado americano da Califórnia, com produção que custou cerca de 6 milhões de dólares — uma miséria para os padrões de Hollywood.
- Jim Carrey aparece com o rosto coberto o filme inteiro, em um papel mudo, como forma de protesto criativo que virou piada entre os fãs.
- A diretora Ana Lily Amirpour escreveu o roteiro em 2012, mas só conseguiu viabilizar a produção depois do sucesso de Demônio de neon, o curta-metragem de vampira iraniana que a projetou.
Perguntas frequentes
Amores Canibais tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina em silêncio, com plano aberto, e a tela escurece em seguida. Não há nada depois dos créditos.
Amores Canibais é baseado em quadrinho?
Não. É um roteiro original de Ana Lily Amirpour, embora a estética e a violência gratuita lembrem bastante graphic novels underground e quadrinhos indie.
Amores Canibais é bom?
Depende do seu filtro. Para quem curte cinema atmosférico, de estética forte e ritmo lento, é um filme marcante. Para quem prefere trama redonda e ação convencional, pode parecer vazio. As críticas mistas nas plataformas como Absolutely fabulous: o filme (divisor de águas) refletem exatamente essa divisão.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor que colecionam pérolas do circuito de festivais (Cannes, Sundance, Locarno) e enchem a estante deCriterion Collection.
- Quem curte road movies estéticas como Noitão Philip K. Dick e romances incomuns no estilo de Doce Novembro e A Casa do Lago.
- Viciados em distopias violentas e estilizadas, do tipo de A série Divergente - Insurgente ou Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, que não se importam com narrativa linear e preferem o clima ao plot.
Título original: The Bad Batch
País de origem: EUA
Distribuidora: Netflix
Diretor: Ana Lily Amirpour
Principais atores: