Veja o trailer do filme Amanhã
Amanhã
Sobre o que é
Em vez de fazer mais um inventário de tragambientais, Amanhã resolve inverter a lente e mostrar gente que já está arregaçando a manga.
Dirigido por Cyril Dion e Mélanie Laurent, o documentário cruza Finlândia, Dinamarca, França, Índia, Reino Unido e Estados Unidos atrás de projetos concretos que reduzem lixo, comida desperdiçada e emissão de carbono.
O recorte é simples: soluções que já funcionam em escala de bairro, escola, fazenda ou moeda local. Para quem se interessa por documentário com pegada propositiva, é um filme que economiza pânico e entrega referência.
A obra também transita pela reflexão ficcional em alguns interlúdios, costurando imagens de arquivo a pequenos experimentos narrativos.
Quando estreou e por que ainda importa
Amanhã chegou à França em 2015, ganhou o César de Melhor Documentário no ano seguinte e rodou festivais mundo afora com sessões lotadas.
No Brasil, foi ganhando espaço em circuitos alternativos, ciclos universitários e sessões escolares até voltar a circular em janelas de reestréia, com sessão exibida em 31/12/2023.
O longa se insere na linhagem de documentários-catálise, aqueles que não querem só denunciar, mas plantar uma agenda. Sete anos depois, virou material de apoio para vereadores, professores e coletivos ambientais que citam o filme em projetos de lei, hortas comunitárias e moedas locais.
Está hoje disponível em streaming no YouTube e já passou por exibições públicas gratuitas em diversas cidades.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco de protagonistas é a parte mais inventiva do filme. Impossível não sair com a cabeça cheia de ideias práticas, de hortas em escola pública a cidades que já desmonetizaram a circulação local.
Visitar uma fazenda urbana em Detroit e uma cooperativa de energia na Dinamarca no mesmo corte dá densidade ao argumento.
Ponto fraco: a parte ficcional, conduzida por Marcus Pimentel e Mélanie Laurent, soa ingênua, quebra o ritmo do jornalismo de campo e empobrece o conjunto.
Também faltam vozes divergentes: o longa praticamente não dá palco a quem questiona essas soluções.
Curiosidades de bastidor
- O longa nasceu da sequência de pesquisas do livro Demain (La Transition), escrito por Cyril Dion em 2013.
- Mélanie Laurent e Cyril Dion doaram parte do cachê para viabilizar a distribuição educativa em escolas francesas.
- A entrevista com Jeremy Rifkin foi gravada em apenas uma tarde, mas regeu toda a narrativa de transição energética do filme.
Perguntas frequentes
Amanhã é um documentário ou um filme de ficção?
É um documentário com interlúdios de ficção, estes últimos pensados para simbolizar o futuro em vez de contar uma história dramática.
Amanhã ganhou Oscar ou César?
Conquistou o César de Melhor Documentário em 2016, o principal prêmio do cinema francês, mas não concorreu ao Oscar.
Amanhã tem cena pós-créditos?
Não. A sessão termina com uma mensagem direta da equipe sobre ações imediatas que o espectador pode tomar.
Dá para usar o filme em sala de aula?
Sim. Há um kit educativo oficial com guia de discussão, disponível em francês e em versões traduzidas por ONGs da área socioambiental.
Pra quem é este filme:
- Leitor de ensaios sobre colapso climático: quem acompanha Vandana Shiva, Jeremy Rifkin e Pierre Rabhi em livro ou palestra vai reconhecer os interlocutores.
- Educador e ativista comunitário: o filme vira material de roda de conversa em escola, grêmio estudantil, cooperativa e coletivo de bairro.
- Curioso de modelos alternativos de economia: quem se interessa por moeda local, agricultura urbana, fazenda vertical e transição energética vai catalogar cada案例 como possível projeto pessoal.
Título original: Amanhã
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2023
Distribuidora: Bonfilm
Diretor: Cyril Dion, Mélanie Laurent, Marcus Pimentel
Principais atores: