O que é Above Suspicion na prática?
Um agente novato do FBI aceita a primeira missão real da carreira em uma cidade pequena do interior de Kentucky, longe de qualquer glamour policial.
Para desestabilizar uma quadrilha local, ele recruta Susan Smith, uma mulher com acesso direto aos alvos e uma vida miserável que vê no agente a chance de escapar daquele lugar.
O que começa como operação confidencial vira caso extraconjugal, jogo de chantagem e, por fim, um dos primeiros assassinatos ligados a um funcionário da agência na história dos EUA.
Dirigido por Phillip Noyce, o longa equilibra suspense, drama e toques de ação sem se parecer com um procedural de TV.
Quando estreou e o que ele representa
Above Suspicion chegou aos cinemas norte-americanos em 2019, mas passou quase todo o ciclo de divulgação em VOD por causa da pandemia.
No Brasil, ganhou distribuição limitada em 2020 e sobreviveu mais no circuito digital do que nas grandes redes.
O caso real que inspirou o roteiro, conhecido como "Miss Kentucky", já tinha virado livro best-seller de Joe McGinniss e documentário.
É lembrado como um marco divisor: o primeiro caso em que um agente do FBI foi condenado por homicídio dentro de operação.
Cinematograficamente, serve como termômetro para quem curte dramas criminais baseados em fatos reais, no mesmo nicho de Fora do Rumo e Mindhunter.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Emilia Clarke e Jack Huston segura o filme inteiro. Os dois transformam cenas de motel em pequenos campos de guerra emocional, e é impossível não ficar preso no jogo de sedução e poder entre os dois.
Outro acerto é a direção de Phillip Noyce, que mantém o ritmo firme mesmo com a trama ambientada numa cidade sonolenta.
Ponto fraco: o roteiro trata o trabalho investigativo do FBI de forma rasteira. Procedimentos aparecem como pano de fundo, não como motor dramático. Quem espera um thriller processual estilo Mindhunter sai frustrado.
O final também escorrega para um dramalhão, perdendo o tom gélido que o material original pedia.
- O caso real já tinha sido adaptado no documentário "Above Suspicion" (1995), narrado pelo ator Frank Langella.
- Emilia Clarke fez testes para o papel logo após terminar as gravações de Game of Thrones, em 2018.
- Phillip Noye não dirigia um longa com produção americana em escala desde "Salt" (2010), retornando ao suspense institucional que consagrou seu nome.
Above Suspicion é baseado em fatos reais?
Sim. A história recria o caso do agente do FBI Mark Putnam e de Susan Smith, que se tornou o primeiro homicídio envolvendo um agente da agência nos EUA, nos anos 80.
Above Suspicion tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma definitiva, sem cenas extras após os créditos finais.
Above Suspicion vale a pena?
Vale para quem curte dramas criminais baseados em fatos reais. Não é um filme de ação explosivo, e sim um suspense psicológico sobre poder, obsessão e erro institucional.
Pra quem é este filme:
- Fãs de true crime que já leram o livro do caso Miss Kentucky ou acompanharam o documentário homônimo.
- Quem curtiu dramas criminais opressivos como Fora do Rumo e obras sobre agentes federais corrompidos.
- Espectadores interessados no elenco pós-Solo: Uma História Star Wars e Game of Thrones querendo ver Emilia Clarke fora de fantasia.