A Virada
Sobre o que é A Virada
Jay Austin é vendedor de carros usados e mente como respira: troca hodômetros, esconde defeitos, enrola no financiamento. Ele está atolado em dívidas e o casamento com Judy já não tem mais conversa de verdade.
É a premissa do longa de estreia de Alex Kendrick na direção, um filme com cara de peça de igreja filmada com câmera na mão e orçamento de fim de semana, mas que cravou uma pergunta que ainda incomoda: dá pra fechar uma venda sem mentir uma vez?
Jay descobre, da forma mais dolorida possível, que a honestidade não custa só dinheiro no começo. Custa orgulho, custa a conta bancária e custa clientes. A Virada é sobre esse vale.
Estreia e legado
A Virada chegou aos cinemas norte-americanos em 2003, produzido pela Sherwood Pictures, braço cinematográfico da igreja Sherwood Baptist, em Albany, Geórgia. Foi o filme que fundou a carreira de Alex Kendrick como diretor e abriu caminho para uma série de produções independentes de temática cristã que emplacaram nas igrejas e em alguns cinemas dos EUA.
Antes dele, não existia praticamente um circuito de fé com produção caseira distribuída em rede nacional. A partir de Flywheel, vieram Desafiando Gigantes (2006), À Prova de Fogo (2008), Corajosos (2011) e Quarto de Guerra (2015), todos com a mesma assinatura.
Reconhecimento de festival? Nenhum relevante. Oscar, Cannes, Globo de Ouro? Nada. O legado é de nicho: virou o filme de cabeceira de muita gente em igrejas nos EUA e no Brasil, e foi parar em catálogos de drama cristão em DVD e, mais recentemente, em streaming.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro pega uma profissão específica, o comércio de usados, e mostra em detalhes as pequenas tramoias do dia a dia. Tem até cena de troca de hodômetro filmada com certo cuidado. Para quem trabalha com vendas, é um espelho incômodo.
Ponto fraco: a atuação é amadora em praticamente todo o elenco, com destaque negativo para o protagonista Roger Breland, que parece estar lendo teleprompter em vários momentos. A direção de Kendrick aqui ainda não tem controle de ritmo.
O filme dura 120 minutos, o que é muito para a história que conta. Pelo menos uns 25 sobram, e o terceiro ato cai num moralismo piegas que envelheceu mal.
Curiosidades
- Foi filmado inteiro em Albany, Geórgia, com locações reais e carros usados de verdade do estoque de um comerciante local, o que ajuda na textura do cenário de loja.
- É o primeiro filme da trilogia informal de Alex Kendrick, seguida por Desafiando Gigantes e À Prova de Fogo.
- A atriz Rosetta Harris Armstrong também aparece no elenco, num dos papéis coadjuvantes da loja, e faria outros trabalhos com a equipe de Sherwood depois.
Perguntas frequentes
A Virada é baseado em fatos reais?
Não. É uma ficção escrita e dirigida por Alex Kendrick com colaboradores da igreja Sherwood Baptist, sem inspiração direta em uma história verídica conhecida.
Qual é a mensagem principal de A Virada?
Que honestidade no trabalho, mesmo quando parece custar caro no curto prazo, traz retorno financeiro, familiar e espiritual no longo prazo. É o tema que Kendrick vai repetir em praticamente toda a carreira.
A Virada tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma cena fechada de reconciliação e não há teaser, nem cena extra, nem homenagem após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema cristão independente e da filmografia completa de Alex Kendrick, que depois emplacou Corajosos e À Prova de Fogo.
- Pastores, líderes de célula e grupos de estudo bíblico que usam filme como ferramenta de debate sobre honestidade, finanças e vida conjugal.
- Curiosos de história do cinema que querem entender como nasceu o movimento de fé de baixo orçamento dos anos 2000 nos EUA.
Título original: Flywheel
País de origem: EUA
Data do lançamento: 25/07/2003
Diretor: Alex Kendrick
Principais atores: