A vida possível
O que é A vida possível
Anna e o filho Valério largam tudo para trás. O motivo é um homem que fez da violência o idioma da relação e que reduziu a mulher a cacos e o garoto a um ser frágil e ressentido.
Dirigido por Ivano De Matteo, o filme é um drama de câmara que prefere o silêncio à catarse. A câmera fica perto da cara de Anna, perto demais.
Não é um filme sobre o que acontece depois da fuga, mas sobre o que ficou marcado antes. Valério não chora, não grita — apenas observa, e essa observação já é a sentença.
Estreia e legado
A vida possível chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição limitada e sem grande campanha de marketing. Na Itália, estreou um ano antes, em 2016, onde circulou em festivais menores e recebeu atenção mais por causa do elenco do que por premiações.
Não disputou Palma de Ouro, nem Leão de Veneza, nem foi indicado ao Oscar. O impacto foi de circuito: sessões para quem procura drama europeu de personagem.
Hoje, o filme é lembrado principalmente como mais um trabalho sólido de Margherita Buy — atriz que também brilhou em Mia mãe (2015), de Nanni Moretti. É um título de catálogo, para quem escava a filmografia de Buy e de Valeria Golino.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Margherita Buy. A atriz carrega o filme nos ombros com uma contenção que dispensa monólogos — um olhar, um gesto, e o espectador entende tudo.
Valeria Golino também surge em função pontual, mas marcante, como contraponto à postura mais introspectiva de Buy.
Ponto fraco: o ritmo. De Matteo aposta em câmera parada e elipses longas, o que pede paciência. Quem busca tensão crescente ou reviravoltas vai achar o filme arrastado.
Também não espere respostas fáceis sobre o agressor. Ele é mais ausência do que personagem, e isso é escolha, não falha — mas pode frustrar.
Curiosidades
- O longa marca mais uma parceria entre Margherita Buy e Ivano De Matteo, que já tinham trabalhado juntos em outros projetos do cinema italiano contemporâneo.
- Valeria Golino, além de atriz, tem carreira ativa como diretora — incluindo o longa Eu e ela (2017), mesmo ano de produção.
- O título original em italiano é La vita possibile, mantendo a mesma ideia central de "vida possível" como horizonte frágil, não como promessa.
Perguntas frequentes
A vida possível é baseado em caso real?
Não há confirmação oficial de inspiração em fatos reais. O roteiro parte de uma construção ficcional, mas dialoga com relatos frequentes sobre violência doméstica e seus efeitos em filhos adolescentes.
A vida possível tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra no momento exato em que a narrativa pede encerramento, sem cenas extras após os créditos.
Qual é a classificação etária de A vida possível?
A classificação indicativa não consta no material promocional recebido. A produção contém temas sensíveis como violência doméstica, sendo provável recomendação para público adulto, mas a definição cabe à autoridade classificadora.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Margherita Buy e do cinema italiano de personagem, especialmente quem gostou de Mia mãe (2015).
- Quem curte dramas familiares sobre violência doméstica sem catarse fácil, no estilo de A conexão francesa (2016).
- Espectadores que preferem elipses e silêncio a reviravoltas, e que acompanham o trabalho do diretor Ivano De Matteo.
Título original: A vida possível
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Ivano De Matteo
Principais atores: