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A transfiguração

A transfiguração

14 Festival Terror Drama Duração: 1h 37min

Um vampirismo que nasce da solidão

A Transfiguração é um drama sombrio que usa o terror como linguagem, não como objetivo. Milo tem 14 anos, mora num apartamento apertado no Queens com o irmão mais velho e carrega uma obsessão por vampiros que não é só cultural — é existencial.

Entre o bullying na escola, a indiferença dos colegas e as noites passadas pesquisando casos de vampiros na internet, ele encontra em Sophie, sua nova vizinha, algo inesperado: afeto. É esse afeto que começa a desestabilizar o pacto dele com a escuridão.

Direção e roteiro de Michael O'Shea, com Eric Ruffin e Chloe Levine nos papéis centrais. Um filme de câmara, íntimo, que prefere observar em vez de assustar.

De Cannes ao circuito alternativo

Estreou na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2016, mesmo ano de produções como Aquarius e La Forêt de Quinconces. No circuito de festival, ganhou destaque por fugir do vampirismo pop adolescente e tratá-lo como metáfora clínica.

Chegou ao Brasil em 16 de março de 2017 em circuito limitado, justamente por se posicionar como cinema de autor. Foi comparado, à época, a clássicos modernos do horror psicológico como Deixe Ela Entrar e a obras de Larry Clark.

Hoje é lembrado como um título cult do horror americano dos anos 2010, daqueles que ganham admiradores justamente porque nunca explodiram em popularidade. Raro, estranho e difícil de esquecer.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a construção da solidão é minuciosa, quase documental. Eric Ruffin entrega um Milo silencioso, cheio de gestos mínimos, e a câmera nunca pressiona. A direção de O'Shea aposta no tempo real, em planos longos e em enquadramentos claustrofóbicos que transformam o apartamento em território de pesadelo.

Outra força é a maneira como o roteiro cruza a lenda do vampiro com a rotina de um adolescente negro no Queens. Não é subtexto gratuito: a metáfora de ser tratado como monstro está plantada com cuidado nas cenas de bullying.

Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade, e o ato final entrega mais sugestão do que catarse. Quem espera sustos, gore ou um desfecho de horror clássico provavelmente vai se frustrar.

O filme pede paciência e dispensa respostas fáceis. Para o público certo, isso é virtude. Para o errado, é um teste de resistência.

Bastidores em três doses

  • O roteiro original de Michael O'Shea foi escrito em forma de conto, e o filme nasceu como adaptação de uma ideia que ele desenvolveu por quase uma década.
  • O ator Lloyd Kaufman, fundador da Troma Entertainment, aparece em participação como professor — um aceno ao cinema exploitation que influenciou a estética do longa.
  • As cenas no Queens foram filmadas em locações reais com elenco em parte não profissional, o que reforçou a sensação de documentário social.

Perguntas frequentes

A Transfiguração é terror de verdade ou só drama com vampiro?

É um híbrido. Tem o corpo do terror, mas a alma do drama. Os vampiros são tratados como metáfora psicológica, não como ameaça sobrenatural explícita.

A Transfiguração tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina antes dos créditos, com uma das últimas imagens mais comentadas de todo o horror indie recente. Nada de teaser ou gancho.

É um filme pesado? Dá para ver com 14 anos?

Tem cenas de violência pontual, hematomas e bullying explícito, mas nada de gore pesado. A classificação 14 anos reflete mais o tom sombrio do que a brutalidade visual.

Pra quem é este filme:

  • Leitor de Thomas Ligotti e de ensaios sobre o vampiro como arquétipo, interessado na face existencial do horror.
  • Fã do cinema de Larry Clark, Harmony Korine e do mumblecore de autor, que valorizaacting naturalista e câmera observacional.
  • Apaixonado por retratos de adolescência marginal, com referências como Kids, George Washington e King Jack.

Título original: The Transfiguration

País de origem: Estados Unidos

Data do lançamento: 16/03/2017

Distribuidora: Festival

Diretor: Michael, Shea, Michael O'Shea

Principais atores: