Veja o trailer do filme A Private War
O que é A Private War
Longa dirigido por Matthew Heineman que reconstrói a trajetória da jornalista norte-americana Marie Colvin, do Sunday Times, conhecida por entrar em zonas de guerra que a maioria dos repórteres evitava.
A narrativa atravessa conflitos como Chechênia, Kosovo, Zimbábue e, principalmente, o cerco de Homs, na Síria, em 2012, onde Colvin morreu aos 56 anos em consequência de um ataque com míssil.
Para contextualizar, o filme se encaixa como drama e biografia, mas com DNA de documentário — característica herdada da carreira prévia do diretor em obras como Cartel Land e City of Ghosts.
Quando estreou e por que ainda importa
A Private War chegou aos cinemas norte-americanos em novembro de 2018 e estreou no circuito brasileiro em janeiro de 2019, em uma janela pequena para um longa europeu.
A campanha promocional ganhou força com a performance de Rosamund Pike, indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama e ao BAFTA na mesma categoria.
O longa foi exibido no Festival de Toronto (TIFF) em 2018, consolidando-se como um dos retratos mais honestos do jornalismo de guerra já feitos para o cinema.
Hoje, o filme é lembrado como referência obrigatória em cursos de jornalismo e em listas de obras que tratam a profissão de repórter com responsabilidade e densidade.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a entrega física de Rosamund Pike é o motor do filme. A reconstituição da perda do olho esquerdo, os tiques de PTSD e a voz rouca construída pela atriz funcionam como mergulho psicológico genuíno, sem afetação.
O uso inteligente de material de arquivo real, emprestado de cineastas que cobriram as mesmas guerras, dá peso de verdade que pouquíssimos dramas de guerra conseguem alcançar.
Ponto fraco: a estrutura narrativa segue uma sucessão cronológica de missões em zonas de conflito, o que gera repetição de ritmo entre os atos. Quem espera variação de tom pode sentir o peso das cenas de combate.
Para quem não curte biografia política ou jornalismo de guerra, o longa pode soar sisudo demais em sua primeira metade.
Curiosidades dos bastidores
- Matthew Heineman tinha apenas três créditos em ficção quando dirigiu o longa; o restante da carreira vinha de documentários premiados como Cartel Land, vencedor do Peabody Award.
- Stanley Tucci aparece em participação pontual como Tony Shaw, editor-chefe do Sunday Times, em cena curta mas decisiva para o arco da protagonista.
- Parte das cenas de guerra mistura filmagem tradicional com material real do conflito sírio, técnica que rendeu comparações diretas com Cidade de Deus e o trabalho de Kathryn Bigelow em Guerra ao Terror.
Perguntas frequentes
A Private War é baseado em fatos reais? Sim. O longa é adaptado do artigo homônimo de Marie Brenner, publicado na Vanity Fair em 2012, que reconstrói os últimos dez anos da vida da correspondente Marie Colvin.
Quem é Marie Colvin e por que ela é famosa? Foi correspondente estrangeira do Sunday Times por cerca de 20 anos, cobriu conflitos em Timor Leste, Chechênia, Kosovo, Iraque e Sri Lanka, onde perdeu o olho esquerdo em 2001. Morre em Homs, na Síria, em fevereiro de 2012.
A Private War tem cena pós-créditos? Não. O longa encerra com imagens de arquivo reais e cartões informativos sobre o destino dos personagens, sem teasers extras após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de jornalismo investigativo, podcasts como This American Life e livros-reportagem de Svetlana Alexievich ou Jon Lee Anderson.
- Quem acompanha atuações de transformação física, como Christian Bale em O Maquinista, e valoriza o trabalho de Rosamund Pike desde Garota Exemplar.
- Leitores de reportagens longas da Piauí, The New York Times Magazine e da carreira do fotógrafo James Nachtwey, interessados em ver o ofício do repórter no cinema.