Veja o trailer do filme A Paixão de JL

A Paixão de JL

A Paixão de JL

14 Documentário Duração: 1h 22min

O documentário

Em janeiro de 1990, o artista plástico José Leonílson começou a gravar um diário em fitas cassete. A ideia era simples: registrar o cotidiano em sintonia com o trabalho na pintura.

O que ele não previa era a virada que aquele ano trouxe. A descoberta do HIV transformou a rotina, a obra e a voz nas fitas. O documentário parte desse material íntimo para montar um retrato raro do pintor cearense radicado em São Paulo.

Dirigido por Carlos Nader, o filme costura áudios originais, obras, cartas e depoimentos em uma narrativa que respira como uma visita ao ateliê.

Estreia e legado

Estreou no circuito de arte e festivais antes de chegar ao cinema comercial em 25 de fevereiro de 2016, no Brasil. A circulação passou por mostras como a Brasilia Film Festival e o Festival de Brasília, onde ganhou o prêmio de melhor documentário.

José Leonílson morreu em 1993, aos 36 anos, e se tornou uma das figuras mais singulares da arte contemporânea brasileira. O filme ajudou a consolidar o interesse pelo artista entre o público que não acompanha o circuito de galerias.

Hoje, é referência obrigatória para entender a geração de artistas que cruzou AIDS, pintura e diários pessoais nos anos 1990. A obra de Leonílson segue em coleções como o MAM-SP e o MoMA, em Nova York.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a proximidade com o pensamento do artista. Ouvir Leonílson falar sobre medo, corpo e tinta no mesmo fôlego é uma experiência rara, especialmente em um documentário brasileiro que recusa a voz over explicativa.

Ponto fraco: o ritmo é lento, quase meditativo, e pode frustrar quem espera um perfil cronológico tradicional. Não há grandes reviravoltas narrativas — o filme aposta em acúmulo e contemplação.

Não é um trabalho de arquivo frio. A montagem trata as fitas como matéria-prima viva, e a trilha sonora pontua sem invadir.

Curiosidades

  • As fitas cassete usadas no filme são as mesmas gravadas por Leonílson em 1990, transcritas e editadas pela equipe de Carlos Nader ao longo de quatro anos.
  • O documentário foi gravado em locações como o ateliê do artista em São Paulo e a casa da família no Ceará, incluindo a cidade de Fortaleza, onde Leonílson nasceu em 1957.
  • Carlos Nader já tinha experiência em retratar personagens solitários, como em Homem Comum (2015) e O Homem Comum (2017), o que ajuda a explicar a abordagem contemplativa.

Perguntas frequentes

A Paixão de JL está disponível em streaming?

Sim, o documentário já circulou em catálogos de plataformas nacionais e em mostras on-line, mas a disponibilidade varia conforme a região. A aba de programação abaixo mostra as opções atualizadas.

Quem foi José Leonílson?

Pintor, desenhista e escritor cearense, nascido em 1957 e falecido em 1993. É considerado um dos artistas brasileiros mais importantes de sua geração, com obras em museus como MAM-SP e MoMA.

O documentário mostra cenas do tratamento contra o HIV?

Não de forma clínica. Leonílson fala sobre a descoberta da soropositividade nas fitas, mas a abordagem privilegia o impacto emocional e criativo, não os detalhes médicos.

Qual a duração do filme?

São 82 minutos, um formato enxuto para o gênero documental, ideal para quem quer uma sessão curta e densa.

Pra quem é este filme:

  • Apaixonados por arte contemporânea brasileira: quem acompanha bienais, galerias paulistanas e nomes como Leonilson, Leda Catunda e Tunga vai reconhecer referências o tempo todo.
  • Leitores de diários e biografias íntimas: o formato lembra leituras como os diários de Sylvia Plath ou de Hilda Hilst, com a voz do artista conduzindo a narrativa.
  • Curiosos sobre os anos 1990 no Brasil: quem viveu a época da AIDS como questão política e cultural encontra aqui um documento de época, sem nostalgia fácil.

Título original: A Paixão de JL

País de origem: Brasil

Data do lançamento: 25/02/2016

Diretor: Carlos Nader

Principais atores: