Veja o trailer do filme A Paixão de JL
A Paixão de JL
O documentário
Em janeiro de 1990, o artista plástico José Leonílson começou a gravar um diário em fitas cassete. A ideia era simples: registrar o cotidiano em sintonia com o trabalho na pintura.
O que ele não previa era a virada que aquele ano trouxe. A descoberta do HIV transformou a rotina, a obra e a voz nas fitas. O documentário parte desse material íntimo para montar um retrato raro do pintor cearense radicado em São Paulo.
Dirigido por Carlos Nader, o filme costura áudios originais, obras, cartas e depoimentos em uma narrativa que respira como uma visita ao ateliê.
Estreia e legado
Estreou no circuito de arte e festivais antes de chegar ao cinema comercial em 25 de fevereiro de 2016, no Brasil. A circulação passou por mostras como a Brasilia Film Festival e o Festival de Brasília, onde ganhou o prêmio de melhor documentário.
José Leonílson morreu em 1993, aos 36 anos, e se tornou uma das figuras mais singulares da arte contemporânea brasileira. O filme ajudou a consolidar o interesse pelo artista entre o público que não acompanha o circuito de galerias.
Hoje, é referência obrigatória para entender a geração de artistas que cruzou AIDS, pintura e diários pessoais nos anos 1990. A obra de Leonílson segue em coleções como o MAM-SP e o MoMA, em Nova York.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a proximidade com o pensamento do artista. Ouvir Leonílson falar sobre medo, corpo e tinta no mesmo fôlego é uma experiência rara, especialmente em um documentário brasileiro que recusa a voz over explicativa.
Ponto fraco: o ritmo é lento, quase meditativo, e pode frustrar quem espera um perfil cronológico tradicional. Não há grandes reviravoltas narrativas — o filme aposta em acúmulo e contemplação.
Não é um trabalho de arquivo frio. A montagem trata as fitas como matéria-prima viva, e a trilha sonora pontua sem invadir.
Curiosidades
- As fitas cassete usadas no filme são as mesmas gravadas por Leonílson em 1990, transcritas e editadas pela equipe de Carlos Nader ao longo de quatro anos.
- O documentário foi gravado em locações como o ateliê do artista em São Paulo e a casa da família no Ceará, incluindo a cidade de Fortaleza, onde Leonílson nasceu em 1957.
- Carlos Nader já tinha experiência em retratar personagens solitários, como em Homem Comum (2015) e O Homem Comum (2017), o que ajuda a explicar a abordagem contemplativa.
Perguntas frequentes
A Paixão de JL está disponível em streaming?
Sim, o documentário já circulou em catálogos de plataformas nacionais e em mostras on-line, mas a disponibilidade varia conforme a região. A aba de programação abaixo mostra as opções atualizadas.
Quem foi José Leonílson?
Pintor, desenhista e escritor cearense, nascido em 1957 e falecido em 1993. É considerado um dos artistas brasileiros mais importantes de sua geração, com obras em museus como MAM-SP e MoMA.
O documentário mostra cenas do tratamento contra o HIV?
Não de forma clínica. Leonílson fala sobre a descoberta da soropositividade nas fitas, mas a abordagem privilegia o impacto emocional e criativo, não os detalhes médicos.
Qual a duração do filme?
São 82 minutos, um formato enxuto para o gênero documental, ideal para quem quer uma sessão curta e densa.
Pra quem é este filme:
- Apaixonados por arte contemporânea brasileira: quem acompanha bienais, galerias paulistanas e nomes como Leonilson, Leda Catunda e Tunga vai reconhecer referências o tempo todo.
- Leitores de diários e biografias íntimas: o formato lembra leituras como os diários de Sylvia Plath ou de Hilda Hilst, com a voz do artista conduzindo a narrativa.
- Curiosos sobre os anos 1990 no Brasil: quem viveu a época da AIDS como questão política e cultural encontra aqui um documento de época, sem nostalgia fácil.
Título original: A Paixão de JL
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 25/02/2016
Diretor: Carlos Nader
Principais atores: