Veja o trailer do filme A Morte de Luís XIV
O Rei Sol apagando aos poucos
Em agosto de 1715, Luís XIV, o Rei Sol, sente uma dor persistente na perna. O que começa como um incômodo vira febre, insônia e recusa alimentar.
O longa do catalão Albert Serra acompanha, com câmera quase imóvel, o lento definhar do homem mais poderoso da França.
Não há batalhas, nem intrigas de corte. Só um corpo real apodrecendo e uma corte que observa, impotente.
É um biografia radicalmente oposta ao épico histórico tradicional. Serra prefere o ritual médico, o silêncio e a claustrofobia dos aposentos reais.
Estreia e legado
La mort de Louis XIV teve première mundial no Festival de Cannes 2016, na seção Un Certain Regard, e ganhou o prémio de melhor filme da competição.
Chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, distribuído pela Zeta Filmes, em circuito restrito voltado ao público de arte.
A crítica internacional recebeu o trabalho de forma dividida: a revista Cahiers du Cinéma elogiou, enquanto parte do público achou o ritmo insuportável.
Hoje é lembrado como uma das peças mais radicais do cinema europeu dos anos 2010, ao lado de outras obras experimentais do mesmo diretor, como História da minha morte.
É citado com frequência em listas de melhores filmes históricos nada convencionais.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Jean-Pierre Léaud é hipnótica. O ator, ícone da Nouvelle Vague em Os Incompreendidos e A Noite Americana, constrói um rei frágil, infantil e assustado sem nunca apelar para o melodrama.
A reconstituição de época é discreta e precisa, e a fotografia de Jonathan Ricquebourg transforma o quarto real em uma espécie de túmulo luminoso.
Ponto fraco: o ritmo é glacial. Praticamente nada "acontece" no sentido clássico. Quem espera um drama de tribunal ou de intriga política vai se frustrar.
São 105 minutos de decadência corporal filmados com rigor quase etnográfico. É cinema de contemplação, não de entretenimento.
Curiosidades
- O filme foi rodado em idioma francês, mas Serra é catalão e não fala francês fluentemente, o que influenciou a abordagem quase muda do roteiro
- Jean-Pierre Léaud precisou usar próteses extensas para simular a perna gangrenada do rei, e chegou a passar horas em maquiagem
- Albert Serra se inspirou nos diários do médico pessoal de Luís XIV, Fagon, para reconstruir os procedimentos clínicos mostrados em cena
Perguntas frequentes
A Morte de Luís XIV tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com o último suspiro do rei, sem qualquer sequência extra.
É baseado em fatos reais?
Sim. O longa recria com liberdade poética os últimos dias documentados de Luís XIV, incluindo a gangrena na perna que matou o monarca em 1 de setembro de 1715.
Onde posso assistir A Morte de Luís XIV online?
O título circula em catálogos de streaming dedicados ao cinema de arte e em mostras universitárias. A disponibilidade muda por região, então vale checar as plataformas especializadas em filmes europeus.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte europeu, especialmente da obra de Albert Serra e do cinema catalão contemporâneo
- Leitores de história da França do século XVIII interessados em relatos nada heroicos sobre o absolutismo
- Espectadores que curtem Um Estranho no Lago e Último Tango em Paris, ou seja, obras que usam o corpo como tema central
Título original: La mort de Louis XIV
País de origem: França, suiça
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Zeta Filmes
Diretor: Albert Serra
Principais atores: